Londrina tem mais de 700 salões de beleza. Em muitos deles, são centenas de atendimentos em uma semana. Haja tinturas, xampus, cremes, luvas de proteção, esmalte, acetona. Produtos que, naturalmente, vêm embalados em caixas de papelão, recipientes plásticos ou de metal, e que produzem outras centenas de quilos de resíduos. Até aqui, nenhuma novidade. O que preocupa é que todo este lixo nem sempre tem a correta destinação. Em muitos salões, o cesto para descarte continua sendo um só para embalagens, cabelos e até restos de alimentos.
''Aqui nunca separamos os materiais. Atualmente estamos sem cabeleireira, o que diminuiu consideravelmente o volume de lixo produzido, mas antes disso já não tínhamos esta preocupação. É engraçado porque em casa separamos tudo, mas aqui não'', admite Zenilda Borges, que trabalha com o marido em um salão unissex no Centro. Ela lembra que o único item que recebe atenção especial são as lâminas de barbear, que por recomendação da Vigilância Sanitária são guardadas após o uso e posteriormente têm a mesma destinação do lixo hospitalar. ''Quando conseguimos juntar um volume considerável, ligamos e uma empresa que trabalha nesta área vem buscar.''
Zulmira de Almeida Santos, proprietária de outro salão na região, afirma que começou a separar as embalagens e demais materiais recicláveis há pouco tempo, ''por dó do pessoal que passa recolhendo''. Vidros, galões de xampu, caixas de tinturas e recipientes de acetona, por exemplo, são colocados em uma sacola específica. Mas embalagens de alimentos consumidos ali pelas funcionárias, como caixas de leite e copos descartáveis, são colocados no lixo comum.
No estabelecimento de Eupídio Pilãn, também no Centro, cabelos, embalagens vazias, luvas e algodão usado vão tudo para o mesmo lugar. Três vezes por dia, o zelador do condomínio onde o salão está localizado passa recolhendo com um grande tambor, onde mais uma vez os resíduos são todos misturados. Também neste salão, que atende homens e mulheres, apenas as lâminas de barbear são acondicionadas separadamente. ''Quando enche um vidro de acetona entrego na farmácia'', informa o proprietário.
Já o salão de Kelly Lika Hirata é um exemplo de como a preocupação com o meio ambiente pode conviver pacificamente com a beleza. ''Eu morei oito anos e meio no Japão e lá a separação de lixo é norma em todos os lugares.'' Kelly adotou a prática no estabelecimento no ano passado, incentivada pelas campanhas públicas e para dar exemplo à filha, que aprendeu na escola a importância da reciclagem. Ela confessa que no começo enfrentou algumas dificuldades. ''Trabalhamos em 13 pessoas, e de vez em quando alguém esquece de separar.'' O salão - que atende uma média de 30 clientes por dia - tem vários cestos, que recebem, separadamente, embalagens de xampu e tinturas, copos descartáveis, restos de comida e cabelo.
Os cuidados implantados por Kelly ajudam a fazer a diferença, mas não são exigidos pelo poder público. Segundo o coordenador da Vigilância Sanitária do município, Rogério Lampre, a separação de resíduos nos estabelecimentos comerciais não é lei, por isso fica a critério de cada empresa o que fazer com seu lixo.
''Nas visitas que fazemos para fiscalizar as questões ligadas à área sanitária esclarecemos sobre a destinação de resíduos químicos que tenham princípios ativos tóxicos, como os produtos à base de hipoclorito de sódio, formol e chumbo. Eles devem ser recolhidos por empresa especializada.'' Segundo Lampre, há várias empresas em Londrina especializadas neste tipo de coleta.

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