'O lavrador nunca perde a esperança'
''Fazer o quê? Continuamos aguardando a decisão das autoridades.'' Desta forma, o classificador Lauro Donizete Vieira, 48 anos, resume o sentimento dos proprietários de terras do Parque Nacional de Ilha Grande. Eles aguardam o pagamento das indenizações desde 1997. A esperança de Vieira é receber o que tem direito e voltar para a vida no campo em Santa Isabel do Ivaí (92 km a oeste de Paranavaí), onde mora.
Ele revela que pretende, quando tiver com o dinheiro nas mãos, comprar um pedaço e voltar a trabalhar com pecuária. Na Ilha Fina, onde possui 101 alqueires, ele tocava gado e chegou a ter 85 cabeças, além de exemplares de porco, carneiro e cavalos. ''Vendi na época pela metade do preço para não perder tudo. Hoje, só tenho dívidas para pagar'', lamenta, relembrando a desocupação das ilhas, por força da criação do parque nacional.
Cunhado de Vieira, o agricultor Ilton Miquilin, 46, viveu da produção agrícola e da criação de gado na Ilha Longa de 1986 até 1997. ''Era uma rocinha de milho e arroz. A terra era excelente. Hoje, tenho que trabalhar na base do arrendamento'', revela. O sonho, a exemplo de outros lavradores, é conseguir o dinheiro da indenização para voltar a trabalhar em terra própria. ''A opção é comprar um pedacinho de terra para trabalhar. Nossa esperança é ter uma vitória nesta questão. O lavrador nunca perde a esperança'', garante.
Pescador profissional e ex-agricultor, Cláudio Ferreira dos Santos, 56, diz que perdeu duplamente com a criação do parque. Deixou de cultivar a terra na Ilha São João, de onde tirava o sustento da família com lavoura de café, algodão, arroz e soja. Já as explosões feitas para construir a ponte Ayrton Senna, entre o Paraná e o Mato Grosso do Sul, prejudicaram a pesca.
''Teve gente que resistiu e está lá até hoje. A gente que saiu tem de esperar a indenização pra ver se compra um pedacinho de terra'', ressalta. (F.R.F.)





