Curitiba - Entre as 28 meninas que estão no Cense Joana Miguel Richa, um terço delas cometeu homicídio, outro terço roubo e o restante entrou no crime pelo tráfico de drogas. "Na região Oeste prevalece ainda muito o tráfico de drogas. É de onde nós mais recebemos meninas. E assim o homicídio ainda são situações pontuais. Tem muito a questão passional", afirmou Maricelne Vital Piva, diretora do Cense. Para ela, as meninas ainda são influenciadas pelos homens na hora de cometer um crime.
De diferentes cidades e com experiências distintas, as meninas têm em comum um fator que leva uma preocupação pelo resto da vida delas. "Meninas que ainda não tiveram a primeira menstruação já têm vida sexual", ressalta.
"Com 12, 13 anos, elas vão para a rua. Muitas vezes, elas saem de casa para ir morar com amigos. Tivemos uma mãe que veio aqui. A mãe tem uma idade mais avançada e tem o companheiro bem jovem. A idade dele está mais compatível com a filha. A menina nunca nos trouxe isso, mas relatórios dizem que elas competiam sexualmente no relacionamento com este homem", revelou a diretora da unidade.
Tragédia e esperança
Fernanda (nome fictício), 16 anos, é curitibana, mas sua família mora em Ramilândia (81 km a oeste de Cascavel), foi obrigada a morar com seus avós paternos com dois anos de idade porque seu pai fugiu após assassinar uma pessoa e sua mãe desaparecer sem explicações. "Tudo que eu queria minha vó e meu vô me davam. Não precisava ter entrado nessa vida", conta.
Fernanda explica como chegou na unidade Joana Miguel Richa, onde está há um ano. "Eu me envolvi com um latrocínio. Me sinto arrependida também", admite a menina. De acordo com ela, os dois envolvidos já estão soltos.
Assim como Fernanda, Paula (nome fictício), 16, teve uma trajetória trágica. Sua mãe morreu e ela nem sabe o motivo. A família não conta. Aos nove anos foi morar com o pai que, depois de dois anos, morreu de cirrose. "Aí acabou tudo para mim. Eu não queria mais estudar. Mudei de escola e lá tinha muitos caras que já eram do 'mundão' e eu fui me enturmando", relatou. Hoje, Fernanda e Paula aguardam o momento em que voltarão para casa. Pretendem reconstruir suas vidas. "Se tiver força de vontade, você consegue", conclui Fernanda. (C.G.B. e D.R.)

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