O lado bom do incomum
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quinta-feira, 18 de junho de 2009
Paula Costa Bonini<br>Reportagem Local 
O momento de escolher o nome dos filhos é um dilema para muitos pais. Que critério utilizar? É possível homenagear alguém querido, inspirar-se em um artista famoso, buscar um nome bíblico ou de bonito significado. Pode-se optar pelo forte, delicado, tradicional ou aguçar a criatividade e escolher algo inusitado. Os pais pensam, repensam, escrevem, reescrevem, trocam ideias, leem e buscam o significado. Existem aqueles que preferem esperar os nove meses para olhar o rosto do bebê e, aí sim, determinar o nome.
A tarefa exige mesmo muita reflexão, afinal, é algo que os filhos - a não ser que optem pela mudança - vão carregar para o resto da vida. ''Sempre fizeram piada com o meu nome, mas eu nunca me preocupei. Acabo entrando na brincadeira e dou boas risadas'', afirma o farmacêutico industrial Chester Nunes Holthausen, 29 anos, que desde criança teve seu nome vinculado à ave comercializada na época de Natal. ''Nasci dois anos antes do produto ser lançado. As gozações começaram e minha mãe perguntou se eu queria mudar de nome. Tinha oito anos e, de início, aceitei a troca, mas depois resolvi que não queria'', conta Chester, explicando que sua mãe buscou para ele e seus irmãos nomes com sete letras, que tivessem H. ''Não tem um motivo específico.''
O farmacêutico diz que o nome ajudou a definir sua personalidade. ''Colaborou para que eu ficasse mais autoconfiante, pois tive que aprender a lidar com as brincadeiras'', observa, acrescentando mais um fator positivo: ''Facilita a inserção em grupos e, desde o início, o clima fica descontraído''.
Os irmãos Sol Rei, 20 anos, e Lua Linda Pellicano Beltrame, 14, também sempre chamaram a atenção. ''As pessoas sempre fizeram muita piada, principalmente na escola. Na infância isso me incomodava muito, mas hoje não me importo. Até gosto de ter um nome diferente'', revela Lua Linda. Já Sol Rei garante que nunca se incomodou. ''Sempre lidei muito bem com isso e nunca pensei em mudar de nome.''
Os nomes foram escolhidos pelo pai, o pedagogo José Roberto Beltrame. ''Queria nomes relacionados à natureza em homenagem à minha avó, que tinha origem negra e índigena. Além disso, gostaria que o nome trouxesse uma personalidade forte a eles'', explica. ''O Rei foi colocado para fortalecer ainda mais o nome. Já o Linda foi empregado para deixar o nome de Lua mais amável e feminino'', esclarece Beltrame.
A empresária Brasília Sorace de Vasconcellos, 49 anos, lidou a vida inteira com as brincadeiras que, segundo ela, sempre foram ''tiradas de letra''. ''Nasci no dia da inauguração de Brasília e meus pais e avós quiseram homenagear a capital do Brasil'', explica, acrescentando: ''Nunca passei despercebida por causa do meu nome. Depois do sucesso da música da Brasília Amarela (dos Mamonas Assassinas) as brincadeiras aumentaram, mas eu sempre me diverti com isso.''
Júpiter de Mello Vitório, 65 anos, e seus irmãos também sempre se destacaram em razão dos seus nomes. ''Meus pais nos deram os nomes dos planetas. Além de mim, tem o Saturno, Netuno e Urano'', conta. De acordo com ela, os nomes foram dados porque o pai era marinheiro e gostava muito de observar o sistema solar. ''É complicado ter um nome tão diferente. Já chegaram a me pedir a identidade para confirmar'', diz Júpiter. ''Somos em sete irmãos e meu pai queria colocar o nome de planetas em todos, mas a minha mãe não deixou'', recorda ela.


