Curitiba - Xarope, injeção, cápsulas, comprimidos dispersíveis. Opções de medicamentos não faltam nas farmácias, o que pode deixar qualquer pessoa em dúvida na hora da compra. Porém, é importante lembrar que são poucos os remédios que podem ser tomados por conta própria.
Segundo o farmacêutico do Hospital Nossa Senhora das Graças (HNSG), de Curitiba, Rafael Lagher, não se deve tomar nenhum medicamento sem orientação de um médico ou do farmacêutico. A automedicação pode ser muito prejudicial e muitas vezes os danos causados pelo uso incorreto podem ser silenciosos. "Temos um exemplo clássico dos analgésicos, medicamento de venda livre em farmácias, que se usados
indiscriminadamente podem causar danos hepáticos graves", orienta.
Para quem tem alergia, é essencial também saber que substâncias contém os medicamentos. Por exemplo, leite, clara de ovo, café e corantes são extremamente comuns nos medicamentos e, caso um alérgico consuma esse produto, pode resultar em um problema maior do que já tem.
Em algumas situações, os medicamentos também interagem com alimentos. Essas interações podem comprometer seriamente o tratamento, potencializando reações adversas ou diminuindo os efeitos terapêuticos.

INTERFERÊNCIA
A água é o líquido mais indicado pelos médicos, pois não interfere na ação do medicamento. "Em alguns casos, pode ser ingerido com suco de frutas e leite, porém é preciso ter cautela, pois a presença de substâncias naturais pode inativar o medicamento", afirma o farmacêutico.
Em outras situações, para evitar o desconforto gastrointestinal, recomenda-se a ingestão com alimentos. "Isso vai depender da apresentação e característica de cada medicamento, alguns têm sua absorção melhorada com estômago cheio e outros precisam ser tomados em jejum", destaca o especialista.
Tomar com chá também não é recomendado, pois muitas ervas possuem ação de inibição ou potencialização dos efeitos dos medicamentos. "Chás de valeriana, erva de são joão e kawa-kawa podem provocar sedação excessiva", explica o farmacêutico. O uso com álcool também não é recomendado.
Alguns medicamentos podem, ainda, interagir inativando ou potencializando o efeito um do outro. "Nesses casos em que o paciente realmente necessita dos dois medicamentos e se identifica uma interação entre eles, recomenda-se o espaçamento da dose", orienta.

RECEPTORES
Quando um medicamento é ingerido, ele vai para o estômago e, se não tiver uma cápsula protetora para conter as enzimas, parte do princípio ativo do remédio já será absorvida, entrando na corrente sanguínea. Do estômago vai para o intestino, onde ocorre a maior parte da absorção do princípio ativo, devido ao grande número de vasos sanguíneos. Uma vez dentro de um vaso sanguíneo, o princípio ativo do remédio começa a circular pelas artérias e veias do organismo, responsáveis por levar a substância química do remédio até o exato ponto onde ela precisa agir.
O segredo do remédio é que ele só entra em ação quando seu princípio ativo interage com moléculas do corpo chamadas de receptores. Como cada órgão tem receptores específicos, o medicamento só age quando seu princípio ativo encontra moléculas que se "encaixam" perfeitamente com sua fórmula química. "Beta bloqueadores têm ação específica em células cardíacas; anti-inflamatórios têm ação específica na inibição de enzimas responsáveis pela inflamação; antibióticos vão ter ação sobre os agentes causadores da infecção", explica o farmacêutico.
O alívio dos sintomas varia de acordo com cada indicação do medicamento. Existem os injetáveis, que possuem ação mais rápida, pois são colocados diretamente na corrente sanguínea, ao contrário dos usados via oral, em que o medicamento precisa primeiro passar pela etapa de absorção para depois agir na corrente sanguínea e ter a sua ação. "É o caso de antibióticos, que possuem tempo dependente para matar as bactérias causadoras da infecção. Já, por exemplo o medicamento sublingual, possui mecanismos de absorção e distribuição pelo corpo mais acelerada", diz.

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