Foz do Iguaçu A tríplice fronteira é conhecida mundo afora por diferentes motivos, seja por suas atrações turísticas, seu potencial energético ou por sua capacidade de movimentar atividades ilícitas. Mas essa região também abriga formas curiosas do famoso jeitinho brasileiro de ganhar a vida, ou melhor, de sobrevivência.
Já foram vistos por aqui um poliglota de 12 anos de idade que construiu uma casa para os pais traduzindo conversas em alemão, inglês, francês e até chinês. Isso sem mencionar o espanhol. Teve ainda uma senhora parecida com a personagem Dora, de Central do Brasil, cuja renda provinha de cartas escritas para terceiros.
Produtos vendidos, então, tem de todo tipo, de camisinha musical a água de torneira propagandeada como sendo das Cataratas do Iguaçu. Certa vez apareceu um sujeito que pediu R$ 100 mil em troca de uns papéis que dariam direito a propriedade da ilha existente no Rio Paraná, perto da Ponte da Amizade.
A expressão mais recente dessa trupe tem origem nos artistas que usaram dois cruzamentos da Avenida Paraná, em Foz do Iguaçu, como palco para divulgarem seus talentos. Os malabaristas foram embora, porém deixaram aprendizes. Inspirados pelos pioneiros, garotos de sete a dez anos de idade se esforçam todo fim de tarde para garantir um troco.
Diferente dos equilibristas, sempre recompensados com aplausos de motoristas e pedestres, os meninos arrancam gargalhadas pelas ''cambalhotas'', ''estrelinhas'' e ''bananeiras'' desastrosas. Eles parecem levar o ofício com seriedade e demonstram ter plena certeza no sucesso das performances, sem se importarem com os constantes tombos e arranhões.
Quando o semáforo ameaça abrir, lá vão os moleques rumo a cada janela de automóvel para recolher a bilheteria do espetáculo. Alguns motoristas fecham o vidro para não serem abordados, outros dizem não ter dinheiro. A maioria, entretanto, tem contribuído pela manutenção dos garotos nos sinaleiros, de mãos vazias e sem capuz.

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