O japonês que virou Baiano
Antonio Kanashiro saiu de São Paulo na década de 70 para montar um pequeno bar em Londrina, depois de trabalhar muitos anos distribuindo frutas em bares. ''Muitos deles faziam batidas. E foi assim que aprendi como preparava: só olhando'', conta.
Com o tempo, o seu bar foi ganhando fama entre os londrinenses. ''Dois clientes falaram que a minha batida era muito boa, mas que não combinava o fato de eu ser japonês. Brincaram, dizendo: quem entende de batida é baiano. E assim começaram a me chamar pelo apelido, que pegou de tal maneira que meu bar passou a ser chamar Baiano, o rei das batidas'', destaca. Quase 40 anos depois ele diz que se orgulha de ser chamado pelo codinome. ''Sou conhecido no Brasil todo devido ao meu apelido. Conquistei muita coisa com ele'', comemora.
Quem frequenta feiras livres na cidade já deve ter ido à barraca da feirante Nilcéia Fabro. Vendedora de ovos, ela é conhecida como ''Xuxa''. ''Tenho esse apelido há 25 anos, praticamente quando comecei a trabalhar na feira. Um dia estava ajudando uma amiga a montar a barraca e ela soltou: 'Consegui armar, Xuxa'. Depois daquele dia, todos passaram a me chamar pelo apelido.''
Sobre a semelhança com a verdadeira, ela desconversa. ''Na época eu tinha o cabelo bem comprido. O pessoal achou que eu lembrava a Xuxa. E assim ficou; não foi nada programado.'' Tanta notoriedade entre os comerciantes e clientes levou a feirante a dar um apelido para o próprio carro. ''Tenho uma Kombi que mandei pintar na lataria o nome de ''Penosinha''. Agora, nós duas somos conhecidas pelos apelidos.''
Também por acaso o estudante de Ciências Biológicas da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Lucas Costa Canezin, de 21 anos, ganhou um 'presente' que o acompanha desde o primeiro dia de aula. ''Foi durante a recepção aos calouros. Neste dia é comum que os alunos recebam os mais variados apelidos dos veteranos. Já é tradição no curso'', conta.
Muito risonho e extrovertido, a boca e o nariz pintados de vermelho fizeram com que os colegas o associassem à imagem de um palhaço. ''E assim ficou: sou o 'Palhaço' da turma. Contudo, apesar de não me importar com o apelido, não me acho a pessoa mais engraçada do mundo.'' Canezin acha até que muitos em sua sala não sabem o seu nome. Mesmo quando ligam em casa me chamam pelo apelido. Minha mãe dá risada da situação'', diz. (M.T.)





