O casal japonês empurra a senhora de 94 anos em sua cadeira de rodas pela entrada da Expo Imin 100 e ela tenta alcançar com a mão as pontas dos tanabatas, enquanto Haruo e Keiko Kariya observam atentamente os enfeites. ''Nós ajudamos a confeccionar as flores dos tanabatas, a família toda participou, até meus netinhos. Vamos ver qual desses nós fizemos'', comenta Keiko, 73 anos. Mais à frente, um menino aponta para uma imagem dentro do estande da FOLHA e exclama: ''Olha, mãe, é o Naruto'', referindo-se a um famoso personagem de anime (desenho animado japonês).
Assim, a cultura japonesa tradicional e moderna vai mostrando-se presente em cada um dos visitantes da feira, que segue até amanhã no Parque de Exposições Ney Braga, Zona Oeste de Londrina. ''O que tem aqui é o Japão no Brasil, assim como os dekasseguis fazem lá o Brasil no Japão'', define a estudante Bárbara Miho Wakisaka, 12 anos, que nasceu e viveu na terra do sol nascente até os 9 anos.
Dentro do pavilhão Soiti Taruma, mais uma mostra do Japão que existe em Londrina: uma exposição de tanka, haiku e senryu (três tipos de poesia), de ikebana (arranjos florais), vários trabalhos feitos por alunos de escolas japonesas - tudo obra de artistas locais. Um painel ainda mostra quem são os cidadãos honorários nikkeis no Japão e em Londrina.
Em outro pavilhão, dezenas de karatecas de Londrina e região revezam-se dia e noite para completar 100 horas de aulas e treinamentos de karatê. ''A idéia é homenagear e retribuir os 100 anos de imigração com 100 horas de atividades ininterruptas'', explica o instrutor Rubem Calduro, salientando que a iniciativa conta com a colaboração de um professor ilustre: Takuma Yokoyama, campeão mundial de karatê em 2005. ''Antes de vir para o Brasil, eu não imaginava que a comunidade nikkei aqui fosse tão grande. Aqui é um lugar muito bom, as pessoas são boas, e as relações humanas são mais fáceis'', comenta Yokoyama, elogiando a amplitude que as comemorações do Imin 100 ganharam.
Impressionados com a aula dessa arte marcial, os estudantes Patrícia da Silva Morais, Amanda Figueira Reis e Thiago dos Reis Nascimento, de Jaguapitã, elegeram o karatê, juntamente com o Robocar (um carro que se transforma em robô, no espaço de Robótica), como as suas atrações preferidas. ''Dá pra ver que tudo o que os japoneses conseguiram aqui foi com disciplina e respeito'', avaliam.
A história da imigração é recontada até mesmo em quadros feitos com arroz, ricos em cores e detalhes, e em vários estandes de empresas espalhados por todo o parque. Já o lado moderno do Japão também está bem representado pelo Animezone, em um pavilhão um pouco mais afastado. O espaço é dedicado a todos que se interessam por mangás (quadrinhos japoneses), animes e cosplay (fantasiar-se de seu personagem favorito), com vários mangás disponíveis para leitura, cursos e exibição de anime, entre outros.
Bastante interativo, o pavilhão de robótica é um dos mais concorridos. À noite, o bon odori (dança tradicional) e o matsuri dance com música ao vivo convidam os visitantes a dançar. Isso sem contar as várias barracas de comida e restaurantes, para atender a todos os gostos. ''A exposição está tão grande que está difícil identificar o que fica onde, mas quero ver tudo com calma'', afirma o japonês Satoru Tanikawa, introdutor da dança moderna yosakoi soran na cidade. Ele observa que uma festa desse tamanho só foi possível graças ao envolvimento de toda a sociedade. ''Sem a colaboração dos brasileiros, não conseguiríamos realizar uma festa dessas. Mas se a comunidade japonesa conseguiu esse apoio, é porque fez por merecer'', analisa.
Serviço - A Expo Imin 100 segue até amanhã, das 10 horas à meia-noite. Ingressos a R$ 4,00 (inteira) e R$ 2,00 (crianças de 7 a 12 anos, estudantes, aposentados e adultos de 60 a 64 anos); visitantes com idades a partir de 65 anos e pessoas com necessidades especiais não pagam ingressos.

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