Com o corre-corre diário, poucas pessoas param para pensar o que abrigam as salas dos antigos prédios da Rua Sergipe, Centro de Londrina. Entre uma diversidade de estabelecimentos comerciais, existe uma sala que abriga a Beneficência Japonesa de Londrina, entidade fundada há 45 anos. Localizada no Edifício Cruciol, na sala 106, a entidade realiza ações em prol da comunidade japonesa, mas o que ela guarda de mais precioso se encontra atrás de uma antiga porta de madeira.
O espaço é modesto, mas os livros que recheiam as pequenas estantes dão um valor incomparável ao lugar, que pode ser considerado uma verdadeira biblioteca japonesa. Clássicos, romances, policiais e biografias se misturam com livros didáticos e revistas de época. ''Através de doações, conseguimos montar um acervo de 1.097 títulos'', revela o advogado Tamotsu Kimura, presidente da entidade há 19 anos.
Além de livros, a Beneficência Japonesa passou a receber também doações de fitas VHS (aproximadamente 500) e Betamax (formato menor que VHS), que preservam imagens, documentários, desenhos e filmes nipônicos. ''Não temos prazo, quantidade e nem valor estipulado. Aqui, todo mundo pode emprestar'', explica.
Devido à enorme quantidade de títulos e a ausência de um cadastro de retirada e devolução dos livros, Kimura acha difícil apontar o mais solicitado pelos leitores, mas sempre que é consultado, acaba indicando um de seus preferidos: ''A coleção de Tokugawa Ieyashu, que conta toda a história do Japão. É um clássico da literatura japonesa.''
Kimura reclama apenas do espaço. Para ele, o local é insuficiente para abrigar tantas histórias. Mas para um leitor assíduo, como Ademar Hiroshi Tano, o espaço pouco importa. Segundo ele, ''garimpar'' um livro faz parte do prazer da leitura. ''Levo um tempão para escolher um livro. Olho, folheio, pesquiso, mudo de canto e no fim sempre acabo levando uns cinco'', conta Tano, que lê em média três livros por semana.
Bancário aposentado, Tano, que é filho de japoneses, diz que aprendeu a língua dos ancestrais através dos mangás (gibis japoneses). ''Eu era muito criança quando comecei a me interessar por mangás e por isso tenho facilidade com o idioma. A maioria dos livros que levo é em kanji (escrita japonesa de nível avançado), justamente para aprimorar meu conhecimento.''

Serviço:
Para retirar livros, basta comparecer na sede da entidade, na Rua Sergipe, 1.025, 1º andar, sala 106, de segunda a sexta, em horário comercial. Mais informações pelo fone (43) 3322-1814

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