"A gente vai crescendo na convivência do dia a dia", afirma Tia Cida
"A gente vai crescendo na convivência do dia a dia", afirma Tia Cida | Foto: Fotos: Gina Mardones


Quando criança, Maria Aparecida Borges vivia no local onde hoje é o Colégio Estadual Vicente Rijo, na esquina das avenidas Juscelino Kubitschek com Higienópolis, na área central de Londrina. Para chegar até a rua Pio XII, onde está o Colégio Hugo Simas, era preciso atravessar muito mato. "Vínhamos brincar aqui. Lembro da escola, cercada de balaústres, e o terreno onde hoje fica o Colégio de Aplicação era cheio de flamboyants que davam flores alaranjadas e vermelhas", relembra.

Naquela época, ela nem imaginava que de local de brincadeiras o colégio seria o seu local de trabalho. Tia Cida, como é chamada pelos alunos, começou a trabalhar no Hugo Simas em 1990 e vê o colégio como sua casa.

Há 27 anos, ela tinha o ensino fundamental incompleto. Foi lá que concluiu a educação básica e chegou até o terceiro ano do ensino médio, mas muito mais do que as disciplinas curriculares, Tia Cida aprendeu sobre convivência, tolerância e respeito. "Esse colégio é a minha casa. Fui criada praticamente sozinha e crianças nunca foram o meu forte, mas aqui eu comecei a trabalhar com crianças de 1ª a 5ª série e foi um grande aprendizado. Acabei pegando seis crianças para criar e todos acabaram estudando aqui. Alguns deles até já estão na faculdade", conta. "Aqui aprendi a conviver e a entender que assim como os dedos das mãos não são iguais, o ser humano também não é um igual ao outro. A gente vai crescendo na convivência do dia a dia."

Ao relembrar sua trajetória profissional, Tia Cida se enche de orgulho. "Me sinto fazendo parte da história. A cidade cresceu muito rápido. Tenho orgulho de trabalhar aqui, tenho muito orgulho da minha cidade."

Pessoas de todas as classes sociais

Escola está localizada na área central de Londrina: caráter democratizante
Escola está localizada na área central de Londrina: caráter democratizante


A musicista Hylea Regina Ferraz iniciou os estudos no Hugo Simas e se recorda com carinho do período em que foi aluna da instituição, entre os anos de 1966 e 1970. Alfabetizada por Valderez Penteado, Hylea conta que ao final do primeiro ano, ao ser aprovada, ficou triste. Não queria mudar de série para não abandonar a querida professora que conquistava as crianças com sua ternura na maneira de ensinar.

A musicista guarda até hoje o caderno de tarefas de capa verde e letra caprichada repleto de notas nove e dez escritas em vermelho pela educadora. "Foi a partir de uma foto da minha época do Hugo Simas que postei no Facebook que surgiu o grupo Londrina - Memória Viva, há cinco anos. O grupo começou com umas 200 pessoas e hoje já tem mais de nove mil. Lá, tem várias fotos do colégio", diz. "Quando Londrina fez 80 anos, o grupo fez uma homenagem à Valderez. Ela era uma professora muito carinhosa."

"Para a história da cidade, a escola foi fundamental. Era uma escola pública onde estudavam pessoas de todas as classes sociais, ricas e pobres", frisa a atual diretora geral do colégio, Sandra Denipoti. "Desde o início a escola já tinha o caráter mais democratizante, que é como a gente pensa a educação pública hoje", completa a diretora auxiliar, Mariana Lopes Vieira. (S.S.)

Sede do Museu Histórico

Em 1958, o então Grupo Escolar Hugo Simas também era a sede da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Londrina, que deu origem à UEL (Universidade Estadual de Londrina), fundada 12 anos mais tarde. Em 1962, a aluna e futura professora do curso de História da universidade Célia Moraes começou a disseminar a ideia de fundar na cidade um museu histórico.

A ideia foi encampada pelo professor alemão padre Carlos Weiss e com seu apoio surgiu o Museu Geográfico e Histórico do Norte do Paraná, inaugurado oficialmente em 18 de setembro de 1970, já integrado ao Centro de Ciências Humanas da UEL.

O museu funcionava no porão do Colégio Hugo Simas e, em 1974, passou a se chamar Museu Histórico Padre Carlos Weiss em homenagem ao seu fundador, organizador e primeiro diretor.

Foi somente em 10 de dezembro de 1986 que o museu ganhou uma sede própria, sendo transferido para o prédio da antiga estação ferroviária de Londrina, onde está até hoje, na rua Benjamin Constant.

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