O homem que quer barrar a usina
Fazenda Rio Grande - Parte da Avenida Venezuela, em Fazenda Rio Grande, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC), não tem pavimentação. Quase no final dela, a poucos metros de uma torre de energia da Eletrosul, em meio a sete cachorros, muito verde e canto de pássaros, vive o homem que luta contra a instalação do aterro em Fazenda Rio Grande. O auditor de meio ambiente Sildney Costa mora em uma chácara há dois quilômetros de distância do local na cidade escolhida para, possivelmente, receber o novo aterro. Isso se toda batalha empreendida pelo auditor não tiver resultado.
Para tentar evitar que a usina seja implantada em Fazenda Rio Grande, Costa reuniu documentos e elaborou um projeto que, em poucos dias, pretende mandar para o Ministério Público (MP) federal. "Vou fazer uma denúncia no Ministério Público contra o Ibama, que é responsável pela área de Mata Atlântica onde querem instalar o aterro", diz. A ação, argumenta, visa chamar a atenção das autoridades federais do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para o impasse.
Costa defende que cada município cuide de seu próprio lixo e enxerga a gestão do Consórcio Intermunicipal para Gestão de Resíduos Sólidos Urbanos como manobra política e de interesse comercial. Além disso, o auditor prevê que o impacto ambiental do aterro em Fazenda Rio Grande será desastroso por vários motivos. O primeiro, diz, é em relação ao tratamento do lixo, como o consórcio promete. O auditor de meio ambiente conta que fez um estudo sobre tratamento e concluiu que uma pessoa consegue separar, no máximo, meia tonelada de lixo em oito horas de trabalho. Para provar que o lixo não será tratado, Costa faz um equação.
"Estima-se que o aterro vai receber 2,4 mil toneladas de lixo por dia e cada pessoa consegue separar 500 quilos. Seriam necessárias 4,8 mil pessoas trabalhando no primeiro dia de funcionamento. Vamos supor que cada pessoa custe R$ 700 por mês. Seriam mais de R$ 3 milhões de gastos apenas com funcionários", argumenta. O segundo ponto é a questão do mau cheiro. Em Fazenda Rio Grande, continua Costa, o vento corre no sentido sul-norte ou sul-noroeste, ou seja, no sentido aterro-centro da cidade. "Todo o cheiro vai para Fazenda", alerta. (T.A.)





