O promotor Edilson Mougenot Bonfim, 35 anos, do 1º Tribunal do Júri de São Paulo, está em Londrina ministrando um curso para promotores paranaenses sobre o Tribunal de Júri. Bonfim atua na acusação do motoboy Francisco de Assis Pereira, conhecido como ‘Maníaco do Parque’, denunciado pela morte de 11 mulheres. O promotor nasceu em Loanda (PR) e escreveu diversas obras jurídicas. Ele também é professor do curso de especialização em Direito Penal da Escola Superior do Ministério Público de São Paulo. Para o promotor, em certos casos, o crime do colarinho branco é o mais hediondo de todos.
Folha de LondrinaO que provoca o aumento da violência nas grandes cidades?
Edilson Mougenot BonfimO crescimento da criminalidade é um problema globalizado e mundial. O homem perdeu seu referencial espiritual e não teme mais o sobrenatural (Deus). Ele também perdeu seus referenciais terrenos porque não acredita no Estado, que poderia impedi-lo de agir como animal irracional. Neste tumulto existencial são contestados os princípios da família, do casamento como células mater para o desenvolvimento social. Atualmente, os conceitos clássicos e universais são tidos como conservadores e ultrapassados. Nesta situação o homem moderno começa a se tornar hedonista (culto ao prazer), imediatista e materialista. Isso tudo vem coincidir com o momento em que o desemprego é a tônica mundial e que não mais existe bandeira de liderança. O comunismo caiu e o capitalismo, na sua concepção pura, não existe mais.
FolhaO problema atual é parecido com o questionamento sobre a existência do homem...
Edilson Realmente o homem vive em crise existencial. Apesar de ter registro de tudo - alistamento militar, carteira de identidade, CPF, atestado de batismo, certidão de nascimento - o homem não sabe quem ele é.
Folha O problema existencial do SER não é provocado pelo problema social?
Edilson Seria muito barato afirmar que só o social é o responsável pela criminalidade. Os criminólogos modernos afirmam que o problema é multifatorial, conjugados aos problemas de berço, de educação e o genético. Por último colocaríamos o problema social como fator de criminalidade. O homem pode nascer criminoso. Os psicopatas servem de exemplo, pois não foi a sociedade que os fez criminosos.
FolhaComo o senhor classifica o político ou administrador que rouba o erário público?
EdilsonSão três os tipos de delinquentes classificáveis. Os biocriminosos, que agem diante de uma predisposição orgânica, psíquica e congênita; os mesocriminosos, que agem criminosamente porque o meio os fez assim; e os biomesocriminosos, que é a tipologia que mistura as duas primeiras classificações. O bandido de colarinho branco é malandro, inteligente, não tem escrúpulo, é perverso porque o seu crime acarreta um infindável problema social. No entanto, eu não posso dizer que ele nasceu criminoso. Ele viu que o meio favorecia a este tipo de crime e se predispôs a praticá-lo. Ele sabe que no caso dele o crime compensa, porque a legislação é extremamente branda a seu favor. Ele paga um milionário escritório de advogacia e tranquilamente é absolvido pelo crime. Na maioria das vezes, ele pode ser mais criminoso do que o conhecido motoboy, pois os peritos afirmam que Francisco Pereira é semi-responsável pelos seus atos.

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