O hobby que acabou virando renda
Não foi a necessidade, mas a paixão que levou o professor de geografia aposentado Celso Inocente a colecionar todo tipo de objeto antigo. O quintal dos fundos da casa dele é repleto de liquidificadores e ventiladores do século passado. Batedeiras de bolo e máquinas de escrever da década de 1950, álbuns de fotos e figurinhas, livros e revistas da época de Getúlio Vargas completam a coleção do aposentado.
Inocente sempre gostou de visitar museus e guardar antiguidades, desde quando era adolescente. ''É uma briga em casa'', confessou o professor, que costuma vasculhar ferros-velhos em busca de tesouros perdidos. Sua última aquisição foi um álbum com fotos da colonização da cidade de Colider, no Mato Grosso, que ele encontrou numa de suas andanças pelos ferros-velhos londrinenses.
''Compro barato, reformo e revendo com uma margem grande de lucro'', afirmou Inocente, que também presta assistência para eletrodomésticos em geral. ''Costumo mexer nisso de manhã e à tarde dou uma volta pela cidade em busca de material novo.'' Como não pode mais dirigir, ele sai sempre de ônibus.
Segundo Inocente, tudo quanto é tipo de revista e livro da juventude ele guardou para poder ler na aposentadoria. Mas o pique já não é o mesmo de antigamente. ''Já tive vários infartos e acabei de descobrir que tenho artrose. A vista cansa logo quando leio e já não aguento mais mexer com objetos pesados.''
Mesmo assim, o aposentado ainda tem clientes assíduos para suas preciosidades, a maioria colecionadores. ''Aos poucos estou vendendo tudo porque quando eu morrer, ninguém aqui de casa vai querer a minha coleção'', lamentou Inocente. (M.G.)





