– Se eu te revelar uma coisa você não conta para ninguém?
Foi assim que o Zeca, comerciante da zona oeste de Londrina, resolveu confessar que tinha caído no golpe do japonês. Também de origem nipônica, Zeca havia sido abordado pelo golpista em um supermercado da cidade numa tarde de sábado. O rapaz chegou todo tímido e contou o ‘‘drama’’.
– Olha, eu sou de Araçatuba e vim aqui ver um apartamento para o meu irmão que está no Japão. Não consegui sacar o dinheiro no caixa eletrônico para comprar a passagem de volta. Estão me faltando R$ 13,00.
O Zeca, que sempre se considerou muito esperto, acreditou no japonês ‘‘com cara de honesto’’. Tirou a carteira do bolso e ainda deu R$ 12,00 a mais para o rapaz tomar um lanche no caminho de volta.
O tal japonês então pediu o número da conta bancária do Zeca e o do telefone para avisá-lo quando o depósito do empréstimo fosse feito. Para surpresa do comerciante, o tal japonês dias depois no local de trabalho contou que havia levado a maior bronca do pai por ter pedido dinheiro emprestado e apresentou o comprovante do depósito feito em um caixa eletrônico.
Para surpresa do Zeca, que emprestou R$ 25,00, o comprovante indicava o depósito de R$ 150,00. Como não imaginava receber o dinheiro de volta, mais que depressa disse para o tal japonês que só aceitaria o valor do empréstimo feito. Rapidamente, sacou o talão de cheques e fez questão de devolver os R$ 125,00 para o pai do rapaz.
Zeca, que sempre ficava atento às malandragens, só se deu conta de que havia sido vítima na hora de conferir o extrato bancário. Do tal depósito, havia somente o comprovante.
– O infeliz deve ter colocado o envelope vazio no caixa eletrônico e me trouxe o comprovante.
Quando Zeca resolveu contar o ocorrido aos colegas de trabalho – talvez como forma de consolá-lo –, os amigos acabaram revelando que também já haviam sido vítimas de golpistas.
A conversa só terminou depois que desencavaram uma série de trambiques aplicados em otários. Da tampinha ‘‘viciada’’, passando pela venda do mel feito de açúçar derretido, ao da doméstica que trabalha uma semana, mostra o maior serviço, relata o drama de familiares doentes, pega antecipado o dinheiro do mês e nunca mais dá as caras.

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