O florista do Guanabara
Primo de Aristides, Nael João Berbert, de 76 anos, também passa parte do dia na rua, porém seu instrumento de trabalho não é a vassoura. Diariamente, ele enche o regador com água e sai com a pá nas mãos rumo ao terreno baldio, próximo à sua residência.
''Fui criado no sítio e meu pai me ensinou a plantar. É por isso que gosto de mexer com a terra. Durante muitos anos trabalhei como servente de pedreiro, mas agora que estou aposentado decidi cuidar das flores. Estou relembrando minha infância'', diz o mineiro, que já vê os resultados de tanta dedicação. ''Elas começaram a florescer há quatro meses e agora estou aproveitando as mudas para plantar mais'', conta.
O canteiro de flores de Nael fica no início da Rua Paramaribo, no Parque Guanabara, na zona sul. Para descobrir o carinho que ele tem com as plantas, não é preciso mais que dois minutos de conversa. Ele vai logo dizendo o nome de cada espécie, o jeito de tirar a muda e acrescenta que é preciso muita dedicação. Além disso, ele as toca com um jeitinho especial. ''As pessoas que passam por aqui e me veem cuidando delas me incentivam. Qualquer lugar ganha mais vida quando tem flor'', declara.
Em frente ao canteiro, um terreno que abriga uma construção abandonada também ganhou o carinho de Nael. Ele roçou o mato e plantou flores ao redor. ''Daqui algumas semanas já vai estar tudo colorido'', comemora.
O genro Cláudio Luiz dos Santos afirma que o cuidado com as flores é uma verdadeira terapia para o sogro. ''Ele é diabético e tem problemas de coração. Se ele ficasse em casa, ia ficar o dia inteiro pensando em doença. Quando ele está na rua, é diferente. Ele se sente feliz e realizado'', diz. (M.O.)





