Londrina está perto de perder a sua última grande videolocadora. A 100% Store (antiga 100% Vídeo), localizada na Avenida Maringá (zona oeste) irá fechar as portas no fim de abril. Com isso a cidade encerrará um ciclo que durou 34 anos, no qual as pessoas aprenderam a assistir os filmes em casa e não mais nos cinemas. O município, em seu auge, já teve 104 videolocadoras. "Tudo vai se modernizando. A imaginação e a criatividade do homem não têm limites. A cada dia surgem novas coisas que substituem as outras. Como nós, tudo tem um começo e uma glória, mas depois... ", declarou, emocionada, a proprietária da 100% Store em Londrina, Railda Oliveira.
Railda, que é de Campinas (SP), relata que chegou a Londrina em 2006. Ela destacou que passou por todas as fases das crises no negócio. "Quando chegamos, em 2006, estourou a pirataria em Londrina. Passamos por uma situação complicada, mas com o trabalho que desenvolvemos conquistamos muitos clientes", relembra. Ela também enfrentou a popularização das TVs por assinatura, mas aos poucos viu os clientes minguarem com a popularização da internet e a facilidade de se baixar um filme pela rede. "Eu não queria chorar, mas é difícil se desfazer de algo que foi a vida da gente."
Railda destaca que sua loja possui um cadastro de 60 mil pessoas e já chegou a realizar 8 mil locações em um mês. Ela relata que o filme mais locado neste anos todos foi "Intocáveis", um filme europeu que conta a história de um tetraplégico e seu cuidador.
"Em 2009 a Associação Comercial e Industrial de Londrina previu o fim das videolocadoras, mas eu nunca acreditei que chegaríamos a essa situação. Foram inaugurados camelódromos aos montes e a gente foi ficando. Foram fechando as locadoras e a gente foi ficando. Mesmo com com toda essa crise, achava que seria mais barato que toda a família assistisse um vídeo do que todos eles irem ao cinema. Eu achava que a locação era um bom negócio, mas não foi isso que aconteceu", lamenta.
Ela relata que 2012 foi um ano ótimo e bateu recorde de locações, 2013 também foi um ano bom e 2014 também teve bons números. "As locações sofreram uma queda grande em 2015", apontou. "A gente gostaria que tivesse dado certo."
Agora a comerciante está liquidando todo o seu acervo de filmes e móveis. Os preços dos DVDs e Blu-Rays variam de R$3,90 a R$ 25. Os jogos não serão vendidos.

Modernização
O presidente do Sindicato das Videolocadoras do Paraná, Jorge Luiz Hein, conta que em 2006 o Paraná chegou a ter 1.176 videolocadoras, mas esse número caiu para apenas 100, uma redução de 91,49%. Ele destaca que a modernização na virada do VHS para o DVD tornou fácil o ato de piratear filmes. "Depois com a TV por assinatura, com a Netflix e com a internet foi uma locadora fechando atrás da outra. A locadora não vai existir mais", aponta.
"Aqui em Curitiba não está diferente. Eu fechei a minha há 3 anos. No meu bairro existiam 23 locadoras e hoje não existe mais nenhuma", relata.
Para ele, isso representa o fim de uma era. "As videolocadoras geravam o primeiro emprego para muita gente. Sustentaram famílias, mas hoje é só prejuízo.", lamenta. Ele ressalta que o governo brasileiro teve culpa nesse processo ao não combater a pirataria.

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