Movido pelo desejo de ''tocar'' o céu, o homem teve que construir suas próprias asas. Essa, que foi uma das maiores invenções da humanidade, criada pelas mãos do brasileiro Alberto Santos Dumont, tornou esse sonho palpável e possibilitou que o ser humano fosse além.
Pouco mais de um século após a invenção do 14 Bis, é comum encontrar histórias de quem se aventura a mais de mil pés do chão, em busca de uma sensação unânime: a liberdade.
''Toda vez que eu me coloco no ar, me sinto em casa. É uma mistura de sensações. Eu relaxo, fico tranquilo e realizado'', revela Renato Rodrigues de Freitas, de 23 anos.
Formado em Ciências Aeronáuticas, Freitas é um exemplo de quem descobriu logo cedo o prazer de voar. Ele começou a praticar aeromodelismo aos 10 anos e nunca mais deixou de sonhar com as alturas. ''Aos 14 anos, procurei cursos para me profissionalizar. Só que naquela idade, eu era muito novo e não podia tirar carteira de piloto. Resolvo experimentar o salto duplo de paraquedismo. Gostei da experiência e hoje, é meu hobby preferido'', conta.
Apesar da idade, Freitas já possui no currículo 500 saltos de paraquedas, além dos cursos de piloto privado, piloto comercial, instrutor de voo, multimotores e lançador de paraquedista. ''Agora, quero partir para a área de avião executivo. Tenho certeza que nunca mais vou deixar de voar'', diz.
Carreira promissora
''A dignidade humana pulsa no coração de um piloto. É uma atividade que tem um perigo inerente, mas que é cercada de segurança''. Esta afirmação vem de um apaixonado pela avição e que durante 30 anos, serviu a Força Aérea Brasileira. Hoje, ele está empenhado em treinar e formar novos pilotos.
Especializado em busca e salvamento e instrução de voo, o coronel Humberto Sérgio Cavalcante Marcolino, de 55 anos, ministra aulas no Aeroclube de Londrina - Escola de Aviação Civil, frequentado por mais de 200 alunos.
''A procura pelas aulas tem aumentado muito. Percebo que o brasileiro está descobrindo o gosto pelo voo. Hoje, estamos vivendo em uma aldeia global, onde o único modal que corresponde à conectividade e velocidade do mundo atual é o aéreo'', afirma.
Um exemplo dessa procura é a aluna do curso de piloto privado, Adriely David, de 20 anos, formada em Ciências Aeronáuticas. Ela conta que sempre teve admiração pela aviação e por isso, escolheu o céu como ambiente de trabalho. ''Me sinto como se estivesse perto de Deus. Desde que voei pela primeira vez, tive certeza que era essa a carreira que gostaria de seguir'', conta.
Para o aluno Diego Garcia, de 28 anos, as oportunidades profissionais na área criam uma grande expectativa. Ele também está no curso de piloto privado para poder realizar um sonho: o de ser piloto no exterior.
O que essas histórias têm em comum é a busca das pessoas em tornar o fascínio de voar em realidade. E assim como a maioria dos alunos, a paixão pela aviação do coronel Humberto, também começa na infância. ''Eu tinha vontade de ser um astronauta. Eu pegava uma banqueta de madeira de casa e fingia ser uma nave, um avião. Até que um dia meu pai, também fascinado por avião, me incentivou a alistar na Força Aérea'', lembra.
Ao passar no concurso público, o coronel percorreu todos os postos da carreira oficial de aviador e conta emocionado, um episódio ocorrido na década de 80, no Rio Grande do Sul. ''As buscas são sempre carregadas de emoção. Naquele dia, estávamos procurando um piloto militar que havia caído com um F5 na Lagoa dos Patos. Infelizmente, não conseguimos localizar o piloto. Fiquei muito entristecido e por isso, ainda tenho na lembrança aquela busca'', recorda.
Mas apesar de ter vivido algumas histórias sem um final feliz, o coronel reserva conta que nada é comparado à emoção de estar no céu. Segundo ele, a sensação de voar é sinônimo de liberdade. ''Mas é preciso ser responsável. Quanto mais liberdade você tem, maior é a sua responsabilidade'', ressalta.
Serviço:
Informações na Fly Paraquedismo pelo telefone (43) 3027-6265 e no Aeroclube de Londrina pelo (43) 3325-8751

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