Londrina não foi uma cidade muito carnavalesca. Tinha, quase que desde a fundação, seus bailes. Mas a festa não era um dos atrativos do Eldorado Paranaense, da terra que atraiu brasileiros de todos os quadrantes e estrangeiros de todo o mundo para formar esta nova civilização.
Entretanto, Londrina teve um dos mais fantásticos e fabulosos dentre os ‘‘reis Momo’’ que presidem, por toda a parte, a folia. Geraldo Júlio, conhecido por todos pelo apelido de Dinho, era uma figura incrível. Fisicamente, era o próprio Rei Momo. O melhor porém é que ele era, igualmente, o Rei Momo pela pela forma de viver, pelo modo como espalhava alegria a seu redor.
Geraldo Júlio não foi eleito Rei Momo de Londrina, até porque ‘‘reis’, mesmo os de Carnaval, não são escolhidos pelo voto. Entretanto, é inquestionável que se houvesse qualquer tipo de eleição, na época, para escolher o soberano do Carnaval, não só ‘‘Dinho’’ ganharia; simplesmente não teria sequer adversário.
Era olhar para ele e saber: este cara encarna tudo o que se espera de um Rei Momo. Com um fato ainda mais positivo: ‘‘Dinho’’ era alegre, cordato, amigo, o ano inteiro. Houve uma época, até, que ele foi uma espécie de ‘‘garoto- propaganda’’ da Maltaria e Cervejaria Londrina, que funcionou por aqui lá no bairro que até hoje se chama Cervejaria. E o negócio era simples: se o ‘‘Dinho’’ encontrasse uma pessoa num bar e a convidasse para beber uma cerveja, isto era oferta da Maltaria.
Tão conhecido, famoso, querido era que chegou até a ser eleito vereador e levou para a Câmara toda a alegria que caracterizou sua vida. Mas Dinho não precisava do mandato popular para ser uma das pessoas mais queridas da cidade. Conhecia todo mundo, falava com todo mundo, era um monarca popular, querido em todos os meios. Até junto ao maior representante da Igreja Católica, na época, Dom Geraldo Fernandes, primeiro bispo e primeiro arcebispo de Londrina. Um diálogo dos dois, aliás, entrou para a história local. Pode até nem ter acontecido, mas ilustra bem tudo o que se possa falar de Geraldo Júlio.
Diz-se que Dom Geraldo encontrou com ‘‘Dinho’’ e lamentou: ‘‘Quase não vejo voc꒒, ao que o nosso eterno Rei Momo respondeu: ‘‘Natural, eu não vou à missa, o senhor não vai à zona...’’

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