Administrar o estresse é um dos grandes desafios enfrentados na vida moderna. Nos últimos anos, o nervosismo e as chateações típicas de grandes centros também passaram a fazer parte da rotina de cidades de médio porte, como Londrina. Congestionamentos de trânsito e longas horas de espera no aeroporto por conta de atrasos e cancelamento de voos já se incorporaram à rotina de boa parte da população. Problemas que exigem uma boa dose de paciência para lidar com imprevistos sem perder autocontrole e o bom humor.
O comerciante José Gerônimo dos Santos afirma que é impossível não se estressar no trânsito londrinense. ''Moro no Jardim Shangri-lá e perco mais de uma hora por dia para levar e buscar minha filha no colégio no Centro, por causa do congestionamento que se forma em horário de manhã e na hora do almoço, no cruzamento das avenidas Rio Branco e Leste-Oeste'', queixa-se.
Ele enfatiza que por conta das longas filas é obrigado a levantar da cama mais cedo e correr contra o tempo o resto do dia para dar conta dos compromissos profissionais. ''Além de tudo, a gente ainda acaba se estressando com as improdudências de motoristas que saem de casa em cima da hora e cometendo várias barberagens no trânsito.''
O congestionamento que se forma nas horas de pico no cruzamento das avenidas Dez de Dezembro e Leste-Oeste também alterou a rotina do mecânico Luiz Henrique Soares. ''Perco cerca de 20 minutos no trânsito de manhã e 20 minutos à tarde para vir e voltar do meu trabalho num percurso que poderia fazer em dez minutos. Mas não fico estressado porque não adianta. Prefiro sair de casa mais cedo para não passar nervoso por medo de atrasar'', afirma.
O taxista Valdir Valério diz que ao longo de 25 anos de trabalho nas ruas da cidade aprendeu a manter a calma mesmo em situações adversas. ''Geralmente os clientes entram no carro nervosos e pedem que eu me apresse, mas depois de algum tempo de conversa acabam se acalmando pois eu não entro nesse clima de estresse. Sei que se eu também ficar agitado as coisas só vão piorar, então procuro me manter calmo e acabo ajudando os clientes a se acalmarem também, pois sempre pego atalhos por ruas menos movimentadas'', argumenta.
Dias nublados
Bastam algumas nuvens encobrirem o sol para aumentar a preocupação de quem depende do bom tempo para chegar ou sair de Londrina. Os constantes fechamentos do Aeroporto José Richa têm obrigado os passageiros a encontrar alternativas para fugir do estresse.
Agendar o voo com horas de antecedência e levar vários livros e revistas na bagagem foi a solução encontrada pela aposentada Maria de Fátima Bloch para fugir do caos aéreo. ''Vou visitar minha filha que mora nos Estados Unidos. Meu voo sai de São Paulo às nove da noite, mas eu estou embarcando às 11h55 de Londrina a Guarulhos para não correr o risco de perder a viagem internacional. Prefiro passar horas esperando do que perder o voo por algum imprevisto.''
O gerente de licitações Lúcio Ferreira dos Santos viaja o país todo a trabalho e diz que nem sempre consegue manter o bom humor quando tem que ficar horas a espera de conexões ou os voos são cancelados por mau tempo. ''Há 15 dias perdi uma licitação no valor de R$ 700 mil por causa de atraso de um voo de Londrina com destino a São Paulo, onde faria uma conexão para Goiânia. Nessas situações tento adiantar o que posso do meu serviço pelo notebook e sempre carrego livros e jornais para ler enquanto espero para embarcar'', conta.
O gerente de negócios Altamir Olivo afirma que já se acostumou a transformar os saguões de aeroportos em um ''escritório particular''. ''Resolvo parte dos problemas pelo computador e pelo celular para não ficar sobrecarregado. A gente tem que se adaptar às situações para não viver estressado'', argumenta.

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