O estadista que deu vigor ao País
Wenceslau Braz graduou-se na Faculdade de Direito de São Paulo (1890) e teve, em Minas Gerais, ascensão política brilhante, de presidente da Câmara Municipal de Monte Santo a presidente do Estado e vice-presidente da República. Tudo isto de 1890 a 1910. Aos 45 anos, foi eleito presidente da República (14-3-1914). Conduzido em carro aberto, quase foi atingido por uma jaca. Até então, fora o vice-presidente do marechal Hermes da Fonseca, mas sem nenhuma participação no governo.
Wenceslau revelou-se estadista e se fosse hoje, quando a autoconcessão de salários nos Três Poderes é escandalosa, provavelmente seria o remédio. Encontrando uma inominável desordem financeira, a dívida pública havia dobrado, chegando a 3,2 milhões de contos de réis, decidiu baixar o próprio salário em 50%, mas o Congresso autorizou apenas 20%. Diante do exemplo, os congressistas acharam por bem aceitar o fim de pagamento a eles, pelas convocações extraordinárias.
Wenceslau usa carro particular, proíbe qualquer mordomia e restringe ao mínimo as nomeações. Institui imposto sobre os salários dos funcionários, dos juízes, dos ministros do Supremo Tribunal Federal e do próprio presidente da República quando o Brasil se declara em guerra com a Alemanha. Período difícil o de Wenceslau, também pelos conflitos internos e a gripe espanhola, mas sua política financeira, legislativa e
administrativa deu vigor a um país à beira do abismo, segundo o historiador Rodrigo Elias. Seu Lalau, recebido
em 1914 com arremesso de
jaca, deixou a capital federal em 15 de novembro de 1918 aclamado pelo povo, pelos políticos e pela imprensa. A esta altura já o chamavam de São Wenceslau. (W.S.)





