O espetáculo diário que domina o céu
PUBLICAÇÃO
sábado, 18 de julho de 2009
Marcela Rocha Mendes<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Nos meses de inverno, quem domina o céu austral (abaixo da Linha do Equador) é o Escorpião. Diz a lenda que ele atravessa o céu à procura do caçador Óreon. Por sua vez, no verão, é o caçador quem reina. E ele também passa seu tempo apontando uma lança para matar o escorpião. São histórias como essa que os antigos imaginavam ao olhar as estrelas. E um espetáculo assim está à disposição de todos quase diariamente.
Ao contrário dos grandes eventos culturais, em que os moradores da Capital e das grandes cidades levam vantagem, esse programa noturno é mais grandioso para quem está nas pequenas cidades. De um centro urbano bastante iluminado é possível vislumbrar centenas de estrelas à noite. Afastando-se das aglomerações de luzes artificiais, elas passam a ser milhares. O único requisito para ver as estrelas é um céu limpo, livre de nuvens.
Neste período, o Escorpião, uma das maiores constelações greco-romanas, pode ser nitidamente visualizado no alto do céu logo nas primeiras horas da noite. Ele é facilmente encontrado graças a sua gigante estrela vermelha Antares.
Antares também tem uma simbologia interessante. Ela é considerada a inimiga de Marte, o deus da guerra, também vermelho e grande. Isso porque, a olho nu, estrelas e planetas têm brilho semelhante. Outras constelações imponentes que são facilmente encontradas nesta época do ano são: Cruzeiro do Sul, Centauro, Triângulo Austral e Cão Maior - com sua estrela Sirius, a mais brilhante de todo céu que visualizamos.
A forma das figuras é uma questão de interpretação de cada povo. ''As estrelas de uma constelação não estão no mesmo plano, há uma distância enorme entre elas. Mas essa percepção que temos ao visualizá-las da Terra vai mudando com o passar do tempo, já que todo o universo está em movimento'', explica o professor de geografia do Colégio Medianeira, Francisco Rehme.
Segundo ele, o Paraná tem uma posição privilegiada por observar todas as constelações do zodíaco (os signos), em épocas diferentes do ano, bem como algumas figuras consideradas típicas do hemisfério norte, como Óreon.
Também nesta época do ano, quem tenta roubar o show é Júpiter. Localizado entre o leste e nordeste, entre 20h30 e 21 horas, é o planeta mais brilhante que pode ser observado da Terra. Com um equipamento básico, é possível enxergar as listras na superfície do planeta e até suas quatro luas mais visíveis.
Essas luas têm um grande significado em 2009, que celebra o ano internacional da astronomia, que inclui o aniversário de 400 anos da descoberta de Galileu - as quatro grandes luas orbitando ao redor de Júpiter. Esse fato foi encarado como a prova final de que nem todos os objetos do espaço giravam em torno da Terra, ou seja, não estávamos no centro do universo.
Outro planeta com observação possível nesse período é Saturno. Mas ele cruza o céu durante o dia, o que impede sua visualização a olho nu. Com equipamentos é possível enxergar os famosos anéis que caracterizam o planeta. Marte e Vênus também podem ser vistos - o primeiro na madrugada, entre 2h30 e 3 horas, e o segundo no início da noite, ambos em fases, assim como a lua.


