Quando a doméstica Maria chega em casa do trabalho encontra apenas desilusão. A aparência cansada e triste denuncia as mazelas que sofre na convivência com dois filhos adolescentes que se entregaram à delinquência.
Ontem de manhã, mais uma vez, ela precisou ir até um distrito policial acompanhar outra prisão dos filhos. L.H.S., de 17 anos, e A.F.S., de 15 anos, foram presos na madrugada de ontem dentro de casa, no Conjunto Luiz de Sá (zona norte), junto com outros três jovens. Eles estavam com diversos produtos que haviam roubado horas antes em uma residência no mesmo bairro. ''Falo porque sou mãe e não mereço tudo isso. Isso é muito doído. Não tenho mais nenhuma autoridade em casa. Não sei o que está errado. Acho que não está faltando nada para eles terem que fazer essas coisas'', desabafou.
Ela contou que até uns dois anos atrás, os filhos costumavam frequentar a igreja e eram carinhosos com ela. Hoje, porém, as coisas mudaram. ''Já fui ameaçada de morte pelo meu filho de 16 anos. Um dia falei para ele que ia contar tudo para a polícia. 'Se você abrir a boca, eu mato a senhora', ele falou.'' Na última sexta-feira, ela chegou em casa e encontrou os filhos com cinco revólveres que tinham acabado de ser roubados de uma empresa. ''Pedi para Deus para tirar aquelas armas de casa. No final da tarde, passou um rapaz lá e levou as armas embora.''
Para mudar de vida, ela pretende mudar de cidade junto com outra filha de 13 anos. Quer ir para Curitiba em busca de paz. ''Falei que eles podem ir, mas vão ter que trabalhar honestamente''. Para a mãe, eles dizem que levam essa vida porque os tempos hoje são outros e garantiram a ela que pretendem abandonar a marginalidade quando completarem 18 anos. ''Acham que não vai acontecer nada com eles''.

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