O dono da máquina soltou os cachorros pra cima da gente
Formado em Direito, José Abrahão da Silva é oficial de justiça há 21 anos. As experiências inusitadas que teve na profissão poderiam encher um livro. Algumas foram hilárias: ''Num processo de separação, fui intimar uma senhora para ela deixar a casa. Ela pegou o mandado, amassou, colocou entre os seios e me falou: 'Vem pegar agora'. Tive que voltar e explicar a situação para o juiz''.
Outras trágicas: ''Certa vez, quando fui cumprir um mandado de apreensão de uma máquina de prensar papel, o dono do equipamento jogou três cachorros em cima da gente. Conseguimos conter dois, mas o terceiro não deu. Ele continuava me atacando e eu tive que matá-lo com um tiro. Isso na época em que eu andava armado''.
Silva diz que essas situações extremas são raras. Mas mesmo nos casos mais corriqueiros, o oficial de justiça quase nunca é recebido com simpatia. Afinal, é visto como um estraga-prazeres, um portador de más notícias. ''Hoje, não há mais o respeito natural ao poder de Justiça, que é o que representamos. Vamos aonde o juiz não pode ir. Por essa falta de respeito, muitos reagem com truculência. Não podemos dar o troco na mesma moeda. É preciso cautela, você não pode se envolver'', explica.
O oficial afirma que entrou nessa carreira porque ''achava bonito fazer justiça''. ''No começo você acha que é herói, que tudo pode, tudo faz. Com o tempo, aprende que nem todo mundo que você intima é bandido'', diz ele. ''É um trabalho estressante, mas é gostoso''.(F.G.)





