Ana, Rosângela e Hermelinda têm histórias em comum. Chefes de família, condições financeiras ruins, elas lutam diariamente para superar as adversidades e sustentar os filhos. Depois de viverem por muitos anos em condições subumanas agora possuem um lar para chamar de seu. Seja por meio de um programa habitacional ou gestos de solidariedade, a essas mulheres foi concedido não só o direito de morar dignamente, mas de sonhar com um futuro melhor.
A aposentada Ana Mirena de Figueiredo, 75 anos, passou mais de três décadas morando com o filho em um barraco no Jardim Nova Conquista (Zona Leste de Londrina). ''Fui eu quem construí o barraco, mas quando andávamos as tábuas afundavam e havia muita goteira também. Precisei jogar a mobília fora porque tudo apodreceu. O teto era tão baixo que precisávamos entrar agachados. Quando chovia era lama por todos os lados. Quase morríamos de frio e de calor também. Não gosto nem de lembrar'', recorda.
O que Ana considera um milagre aconteceu no início do mês de dezembro. Ela foi uma das contempladas pelo programa ''Onde Moras'', idealizado e coordenado pelo engenheiro Maurício Costa. Inspirado pelo colorido do Pelourinho (Salvador - Bahia), as casas no Jardim Nova Conquista ganharam cores diferentes fugindo ao branco tradicional. O sonho da aposentada demorou cinco meses para ficar pronto. A casa em alvenaria possui dois quartos, sala, cozinha e banheiro. Zeloza, Ana colocou tapete no chão da sala, vaso de flor sobre a mesa e quadros pelas paredes. ''Sempre limpei a casa dos outros. Agora tenho uma para cuidar. Tenho orgulho de convidar as pessoas para conhecer o meu lar. Para quem nunca teve nada isso é a melhor coisa do mundo'', comemora, mostrando as aquisições para a nova residência - armários e geladeira.
Mau cheiro, insetos, ratazanas, lamaçal, falta de luz, ausência de infraestrutura básica para viver dignamente. Até o final de dezembro Rosângela Pires de Miranda, 39 anos, morava, ironicamente, na invasão Cantinho do Céu (Zona Norte de Londrina). ''Eu e meu dois filhos pequenos víamos cada rato enorme. Era um mau cheiro. Não tinha luz, água encanada. Dormíamos todos apertados em um mesmo cômodo. Acho que nem cachorro vivia naquelas condições'', conta, entristecida. O presente de Natal foi doado pelo Comitê de Solidariedade dos Funcionários da Sercomtel, que graças à doação espontânea do vale-refeição dos funcionários conseguiu construir ao longo de 15 anos 60 casas para famílias de baixa renda, além de comprar medicamentos, agasalhos, cadeiras de rodas, cobertores e brinquedos para alegrar o Natal de centenas de crianças atendidas pelas creches municipais, dentre outras ações.
O novo endereço de Rosângela é no Jardim Campos Verdes (Zona Oeste). A residência, de 50 metros quadrados, possui dois quartos, banheiro, sala e cozinha. A moradora comemora o direito de tomar um banho quente e a filha brincar no quintal com Bidu, o cachorrinho de estimação. Desempregada, a moradora confessa que contou com a solidariedade para mobiliar a casa e colocar comida na despensa. Os filhos César, 10, e Stefani, 8, ainda dormem no chão. ''Sobrevivo com o benefício do Bolsa-Escola das crianças. A mudança para cá me deu esperanças para conseguir um trabalho e garantir conforto para os meus filhos'', planeja.

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