O dilema da segurança: cadeia ou prisão?
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terça-feira, 01 de abril de 1997
Da Redação 
Warren NabucoMesa-redondaFerrari, Paulino, Leonyl, Medeiros e Vieira: em debate, a prioridade para a questão dos presosQual é a prioridade para resolver o problema da superlotação de presos nos distritos policiais?
Representantes de entidades e órgãos públicos tentaram responder a essa pergunta ontem à tarde, em reunião na Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil). Estiveram presentes o presidente da Acil, Abílio Medeiros; o delegado-chefe da 10ª Subdivisão Policial, Leonyl Ribeiro; o chefe do escritório do Departamento Estadual de Construção, Obras e Manutenção (Decom), Marcelo Paulino; o presidente do Conselho Municipal de Segurança, Irineu Vieira; e o empresário imobiliarista Roberto Ferrari.
Uma das maiores preocupações levantadas na reunião é a possibilidade do projeto da construção da Cadeia Pública sofrer atraso devido à construção da Prisão Provisória, ao lado da Penitenciária Estadual de Londrina, cuja proposta foi levantada há menos de 20 dias.
O advogado londrinense e ex-presidente do Conselho de Segurança, Luis Carlos Munhoz, propôs junto ao secretário estadual de Segurança Pública, Cândido Martins de Oliveira, a construção do Prisão Provisória, no jardim Acapulco (zona sul), onde seriam aproveitados os muros já construídos no local. Segundo Munhoz, nessa obra já foram gastos mais de R$ 200 mil e existem mais verbas locadas para a mesma finalidade. Com isso, a prisão seria construída antes da Cadeia Pública.
No final da semana passada, moradores do jardim Acapulco estiveram na Câmara de Vereadores e mais uma vez reafirmaram a posição de não aceitar a Prisão Provisória no local. No ano passado, os moradores fizeram manifestação pública contra a possível construção da Cadeia Pública no bairro. A população alega que a Cadeia Pública (ou a Prisão Provisória) causaria fluxo de pessoas indesejadas, criando problemas de segurança no bairro.
Munhoz diz que a saída dos presos seria pelo jardim Del Rei, zona desabitada, ao lado do Acapulco. O advogado acredita que a finalização da Prisão Provisória seria rápida - talvez menos de um ano - e não impediria a continuidade das obras da Cadeia Pública. Munhoz enfatiza que, construídas as duas unidades, Londrina teria um total de celas com capacidade para 300 detentos, acabando com o problema de superlotação nos DPs.
O representante do Decom, Marcelo Paulino, afirmou não ter recebido nada oficial sobre as obras da Prisão Provisória. Ele disse que a obra da Cadeia Pública já está sendo licitada e garantiu que a empresa construtora será escolhida em 90 dias. Paulino não disse quanto tempo será necessário para Londrina ter a Cadeia Pública. O empresário Roberto Ferrari, que doou o terreno para a construção da cadeia, na região conhecida como Gleba Três Bocas (zona sul), disse que está preocupado. Eu doei a área para a cadeia com o compromisso de o Estado concluir a obra em dois anos. Mas acho que nem em três anos a cadeia sai. Principalmente agora que foi criado o projeto do Prisão Provisória.
Abílio Medeiros concorda com Ferrari: Pode melar o projeto da nova Cadeia Pública. Todos deveriam se comprometer com a construção e não pulverizar idéias para outros projetos. Já o delegado Leonyl Ribeiro entende que deveriam ser feitos esforços para as duas obras. Mas ele diz que, se a obra da Prisão não começar em três meses, pouco vai contribuir para resolver a superlotação dos distritos.Daí só nos resta a conclusão da obra da cadeia.
Abílio Medeiros e o presidente do Conselho de Segurança, Irineu Vieira, propuseram, como medida paliativa, que sejam feitas reformas nos distritos policiais - enquanto não vier a construção da Cadeia Pública.


