''No momento em que recebi o diagnóstico fiquei parado olhando para os meus pais. Senti medo. Não sabia o que viria pela frente, quais barreiras teria que enfrentar e por quanto tempo ficaria no hospital enquanto a vida corria lá fora. Muitas vezes pensei que fosse morrer.'' O relato é de Fábio Eduardo Gomes, que aos 21 anos foi diagnosticado com leucemia linfóide aguda (câncer nas células brancas do sangue).
Ele precisou de submeter a quimioterapia durante dois anos e meio. Nesse período, sofreu com pneumonia, hemorragias e outras reações. O apoio da família, segundo ele, foi fundamental. ''Meu pai sempre dizia que tudo ia dar certo e, graças a Deus, isso aconteceu. Em agosto de 2004 veio a confirmação de que estava curado. Quando cheguei em casa, minha avó e minha mãe estavam me aguardando. Foi indescritível'', recorda emocionado.
Fábio, que hoje está com 29 anos, casou há seis meses e não vê a hora de realizar seus maiores sonhos: ser pai e cursar uma faculdade. ''Ninguém deve desistir de lutar pela vida.''
A assistente social Genilda Pozzetti Stábile, 55, também tem sua história marcada pela superação. Em 2008, ela descobriu que estava com um tumor maligno no intestino. ''No início minha família não quis me contar sobre a doença, mas quando soube fiquei em estado de choque. Me sentia insegura. Perguntava porque aquilo estava acontecendo comigo e às vezes chorava.''
Genilda foi submetida a uma cirurgia, o tumor foi retirado e 30 centímetros do intestino também. ''Hoje estou curada. Passei a valorizar as pequenas coisas e quero viver o melhor possível.'' Para Genilda, a forma como o médico comunicou o diagnóstico deu forças para ela lutar contra a doença. ''Ele me passou muita tranquilidade'', assegura.
Diariamente, muitos médicos enfrentam a delicada situação de comunicar o diagnóstico de uma doença grave ou sem possibilidade de cura ao paciente e seus familiares. É um momento que exige profissionalismo e uma boa dose de sensibilidade. Para não gerar pânico, é importante transmitir segurança e tranquilizar o doente.
''Existe uma técnica para dar más notícias. Primeiramente, é preciso identificar o quanto o paciente quer saber sobre a sua doença. Se, de início, ele não quiser ouvir, eu respeito e procuro um momento mais oportuno para conversar sobre o assunto. O diagnóstico tem que ser dado em um lugar reservado e o paciente tem o direito de ter alguém da família junto'', explica o vice-presidente da Academia Nacional de Cuidados Paliativos Luis Fernando Rodrigues.(Leia mais na Pág.3, do Primeiro Caderno)

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