Curitiba - O tratamento exige o consumo de sete comprimidos, mas na farmácia só há como adquirir a cartela com dez. O que fazer com o que sobra? Farmacêuticos e profissionais da Vigilância Sanitária de Curitiba têm apenas uma resposta: o destino deve ser o lixo, desde que o descarte seja feito corretamente.
A Secretaria de Saúde de Curitiba e a Vigilância Sanitária disponibilizam pontos de coleta desse tipo de resíduo. ''Como se trata de produto tóxico, a pessoa não pode jamais jogá-lo no lixo comum, nem descartar no vaso sanitário ou ralo'', alerta a coordenadora da Vigilância, Rosana Zappe.
A coleta é feita por caminhões da prefeitura que visitam os terminais de ônibus. Há farmácias que também recebem restos de remédios, mas como não há lei que obrigue esses estabelecimentos a dar destino a todo medicamento, nem todas aceitam receber esse tipo de lixo.
Quando o assunto é doação de medicamentos, o cuidado deve ser redobrado. ''A sobra nem sempre constitui a quantidade suficiente para um novo tratamento. Como então compor esse tratamento?'', aponta Rosana.
A dificuldade é que na eventualidade do paciente ter algum tipo de reação adversa ao tratamento, o uso de medicamentos de diferentes lotes pode dificultar o estudo das causas do problema.
A falta de controle sobre as condições de armazenamento também prejudica seu reaproveitamento. ''Para se utilizar a sobra do medicamento é preciso saber como ele foi armazenado e avaliar se na apresentação desse remédio tem como haver a reutilização'', diz Sônia Wagnitz Bertassoni, diretora-secretária do Conselho Regional de Farmácia.
O reaproveitamento de remédios é possível se a Vigilância Sanitária aprovar o projeto da entidade interessada em recolher doações. ''Deve-se ter um farmacêutico responsável por avaliar as condições do material'', alerta Lia Mello de Almeida, vice-presidente do Sindicato dos Farmacêuticos do Paraná (Sindifar-PR).
Mesmo sem destino útil, os medicamentos não devem ser esquecidos em casa. ''Manter essas sobras dentro de casa é perigoso'', alerta Sônia. A maior preocupação, avisa, é com crianças e idosos. ''As crianças são atraídas pelos comprimidos por serem coloridos e podem acabar intoxicadas'', diz.
Já na terceira idade, o risco é de confusão entre remédios. ''O idoso pode se confundir, tomar o remédio errado'', explica. Outra dificuldade é com estímulo à automedicação. ''O remédio está lá, sem utilidade e pode acabar na mão de outra pessoa da família ou do próprio paciente que decide tomá-lo sem consultar um médico'', conta.

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