Depender do transporte coletivo não é fácil, mesmo em Londrina, onde há um grande numero de ônibus e um bom sistema de interligação entre os pontos da cidade. Para quem tem algum tipo de deficiência física, a dificuldade é ainda maior. Além das limitações físicas, os deficientes muitas vezes têm que enfrentar o preconceito e a falta de colaboração da população. Maria Francisca da Silva acompanha o filho Renato da Silva Vicente à escola todos os dias. Renato tem 19 anos, as pernas atrofiadas e depende de muletas. Para levá-lo para a Apae, ela enfrenta a rotina de pegar um ônibus no Conjunto Maria Cecília (Zona Norte), ir até o Terminal Central e de lá, pegar um outro ônibus que os leve até a escola, que fica na Zona Leste. Na volta, a mesma coisa. A reportagem da FOLHA acompanhou um destes trajetos de mãe e filho.
Ao meio-dia e meia, os dois chegam ao terminal e encontram o ônibus superlotado. Renato entra com dificuldade, pois não consegue dobrar as pernas e precisa da ajuda da mãe para subir os degraus. Ninguém ajuda. Dentro do veículo, por sorte, alguém cede o lugar, mas nem sempre é assim. Segundo Renato, muitas vezes ele foi sentado nos degraus do ônibus, do terminal até sua casa, um percurso de meia hora aproximadamente.
Para a Adefil - Associação dos Deficientes Físicos de Londrina - a situação já foi pior. O número de ônibus não é suficiente, mas a Associação entende que há um período de adaptação da frota e o prazo para que todos os ônibus estejam adaptados vai até 2010. Sendo assim, Londrina já está relativamente adiantada no processo (veja box). Segundo Keity Akimura, assistente social da Adefil, o maior reclamação dos associados é nos finais de semana, quando muitas linhas têm seus ônibus trocados por microônibus, que não são adaptados para cadeirantes.
Outra reclamação é sobre as calçadas e os pontos de ônibus não adaptados, sem rampas e sem cobertura onde os cadeirantes possam ficar. Ela diz também que alguns deficientes reclamam que em alguns lugares os ônibus adaptados demoram a passar e muitos acabam desistindo de sair de casa.
Algumas linhas intercalam ônibus adaptados com outros que não são. Mas a CMTU distribui um folheto com os horários dos ônibus e também disponibiliza telefones para que os usuários possam se informar sobre horários e a disponibilidade de um ônibus com elevador.
Luis Roberto Praxedes é cadeirante, utiliza ônibus várias vezes na semana e diz que melhorou muito a sua locomoção desde a implantação dos ônibus adaptados, mas que ainda há muito a ser feito. O procedimento para entrar e se acomodar no ônibus leva em torno de dois minutos e ele diz que as pessoas não costumam reclamar: ''Às vezes a gente entra no ônibus e tem um monte de gente no lugar reservado ao cadeirante, mas eles já vão desocupando''. Mas cita como pontos a serem melhorados as rampas no terminal: ''São muito inclinadas, dependendo da cadeira de rodas, corre-se o risco de virar para trás''. E também os pontos de ônibus: ''Às vezes a gente tem que ficar esperando no asfalto, porque não tem rampa de acesso no ponto ou perto dele''. Mas ressalta que houve grande melhoria na vida social dos cadeirantes, ''muita gente que não saía de casa, agora vai trabalhar e passear''.

mockup