Curitiba - Ontem foi o dia dos brasileiros tomarem conta dos espaços onde está acontecendo a 8ªConferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica (COP-8) para mostrar aos ‘‘gringos’’ o que o Brasil tem de melhor em programas para conservação da biodiversidade. Pelo menos, essa era a intenção. Mas, na cerimônia de abertura, a grande maioria dos cerca de 200 presentes era da terra mesmo.
  A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, participou da abertura do Dia Brasil na COP-8, e destacou alguns dos pontos que considera como avanços para o cumprimento das metas de 2010 pelo Brasil. O de maior ênfase foi a política de transversalidade para o desenvolvimento sustentável, que ela acredita poder servir de modelo para outros países. ‘‘Não é possível pensar em meio ambiente afastado da agenda e da dinâmica de desenvolvimento. É, por isso, que tratamos como prioritária a ação de fazer com que o setor ambiental possa interferir nos processos de planejamento para inserir a variável ambiental’’, afirmou.
  Segundo Marina Silva, são 32 ações no âmbito do governo federal em que o Ministério do Meio Ambiente participa, diretamente, reposicionando processos. Entre eles, a construção da BR-163, que foi paralisada para análise do impacto ambiental.
  O secretário-executivo da Convenção da Diversidade Biológica (CDB), Ahmed Djoghlaf, descreveu o Dia Brasil como um momento para entrar na história das conferências das Nações Unidas, pois em nenhuma outra edição o País anfitrião havia se proposto a ‘‘compartilhar suas experiências’’. Ele citou a criação das unidades de conservação que, segundo o Ministério do Meio Ambiente, somam 15 milhões de hectares, e destacou que essa área é maior que o território de países como a Espanha, por exemplo.
  Além das reuniões técnicas, estavam previstas na programação do Dia Brasil a inauguração da Feira de Produtos do Desenvolvimento Sustentável e o lançamento da cartilha ‘‘Escolha Freguês’’, sobre a produção orgânica de alimentos, com a presença do cartunista Ziraldo, que fez as ilustrações.
  Unidades de Conservação- Depois de muito impasse entre agricultores e governo federal, o Paraná ganhou mais duas unidades de conservação, que foram oficializadas esta semana. Trata-se da Reserva Biológica das Araucárias, com quase 15 mil hectares de Floresta Ombrófila Mista – entre os municípios de Imbituva, Teixeira Soares e Ipiranga– e o Parque Nacional dos Campos Gerais, com aproximadamente 21 mil hectares, com formações de campos e florestas, cobrindo os municípios de Ponta Grossa, Castro e Carambeí.
  Para o superintendente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Marino Gonçalves, a confirmação das duas unidades são de extrema importância, considerando que dos 5% de florestas existentes, menos de 1% está conservada.
  Somando os 8,3 mil hectares da Reserva Biológica das Perobas, no Oeste do Estado, criada na semana passada, o País teve um acréscimo de 15% no tamanho das áreas protegidas.

mockup