O descaso da saúde pública
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quarta-feira, 18 de setembro de 2002
Emerson Dias<br>Reportagem Local 
Cascavel - Sebastião é um desses milhares de brasileiros que ganha pouco mais de um salário mínimo como servente de pedreiro e depende da saúde pública nos casos de doença na família.
Esta semana aconteceu um fato que jamais imaginou enfrentar. Seu filho de apenas quatro anos amanheceu ardendo em febre e com ânsia de vômito, o que lhe deixou muito assustado. No dia anterior, ele ouviu notícia no rádio sobre um tal de rotavírus e achou que o filho estava com a doença.
Prontamente pegou a criança no colo e partiu rumo ao Hospital Universitário de Cascavel. Chegando lá, foi informado que a criança não poderia ser atendida, pois antes deveria ser consultada no Pronto Atendimento Continuado (PAC), uma espécie de Pronto-Socorro municipal. Não restando outra alternativa, foi ao PAC, onde foi informado que deveria voltar ao HU, pois a criança precisava ser internada.
Já entrando em desespero e inconformado com a situação, Sebastião pegou o filho e foi até o hospital. Naquela hora a febre já tinha aumentado e o medo de que algo pior viesse acontecer também. Porém, ainda não foi dessa vez que conseguiu internar o filho. Novamente, lhe pediram para voltar ao PAC para que a criança fosse atendida.
Sentindo-se um verdadeiro iô-iô humano, Sebastião decidiu tomar uma medida radical. Foi até a delegacia de polícia e implorou para que o delegado lhe ajudasse a garantir atendimento ao filho. Sensibilizado com a situação, o delegado determinou que dois policiais lhe acompanhassem até o hospital. Mesmo assim, foi necessária muita conversa para que a criança fosse atendida.
Mais tranquilo por saber que o filho estava nas mãos de um médico, apesar dos sintomas de pneumonia, Sebastião desabafou lembrando que, mesmo sendo ''um pobre coitado'', paga todos seus impostos. O drama do pedreiro não é único. Como ele, diariamente uma legião de pessoas que depende da saúde pública é obrigada a fazer uma desumana via-sacra para sobreviver.


