Papéis de bala, jornais, revistas velhas, latinhas de refrigerante, sacos de lixo, enfim, todos os tipos de materiais recicláveis transformados em roupas. As crianças e adolescentes carentes atendidas na Escola Oficina, zona norte de Londrina, confeccionaram 28 peças que vão ser exibidas hoje à noite, durante o concurso Miss Nikkey, promovido pela Associação Cultural e Esportiva de Londrina (Acel). Metade do dinheiro arrecadado com a venda dos ingressos será revertida para a Acalon.
Essa é a terceira vez que a escola participa do evento, a convite da Acel. As roupas foram criadas pelas crianças, junto com os educadores. ‘‘ Foram dois meses de trabalho em conjunto, todo o material usado na produção é resultante de doações da comunidade’’, conta a coordenadora-geral da Associação da Criança e do Adolescente de Londrina (Acalon), Mercês Peixoto. A Acalon é a entidade mantenedora da escola.
Para o professor de artes e também artista plástico, Antônio Lúcio, o resultado do trabalho foi muito satisfatório. ‘‘É gostoso ver a alegria dos meninos com esse projeto. Eles se dedicam e têm muito interesse. A gente percebe que são talentosos e só precisam de incentivo’’, elogiou.
Lúcio contou que as crianças desenham as peças e depois o modelo é desenvolvido em conjunto. ‘‘As peças são criativas e têm um estilo muito alegre, poderiam ser usadas numa festa à fantasia’’, garantiu. Para Mercês, o importante é que esse trabalho conscientize as crianças quanto uma melhor utilização do material reciclável. E também desenvolve a auto-estima, o trabalho em grupo e o espírito de solidariedade.
‘‘Os adolescentes começam a pensar a questão da beleza física, a trabalhar a auto-estima’’, observou Mercês. ‘‘Eles participam por vontade própria, esse trabalho é pra nós uma grande conquista.’’. Ela contou que muitos adolescentes atendidos são usuários de drogas e o projeto ajuda na recuperação deles.
As crianças estão ansiosas para o desfile, principalmente para aquelas que vão participar pela primeira vez. ‘‘Eu estou muito nervosa, mas também com muita vontade que chegue logo o desfile’’, contou Bruna Amador Martins, de dez anos, que vai pisar pela primeira vez na passarela. Ela criou sua própria roupa, que foi feita de chapéu, algodão cru e barbantes.

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