O descartável vira moda
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 24 de maio de 2002
Erika Zanon Reportagem local 
Papéis de bala, jornais, revistas velhas, latinhas de refrigerante, sacos de lixo, enfim, todos os tipos de materiais recicláveis transformados em roupas. As crianças e adolescentes carentes atendidas na Escola Oficina, zona norte de Londrina, confeccionaram 28 peças que vão ser exibidas hoje à noite, durante o concurso Miss Nikkey, promovido pela Associação Cultural e Esportiva de Londrina (Acel). Metade do dinheiro arrecadado com a venda dos ingressos será revertida para a Acalon.
Essa é a terceira vez que a escola participa do evento, a convite da Acel. As roupas foram criadas pelas crianças, junto com os educadores. Foram dois meses de trabalho em conjunto, todo o material usado na produção é resultante de doações da comunidade, conta a coordenadora-geral da Associação da Criança e do Adolescente de Londrina (Acalon), Mercês Peixoto. A Acalon é a entidade mantenedora da escola.
Para o professor de artes e também artista plástico, Antônio Lúcio, o resultado do trabalho foi muito satisfatório. É gostoso ver a alegria dos meninos com esse projeto. Eles se dedicam e têm muito interesse. A gente percebe que são talentosos e só precisam de incentivo, elogiou.
Lúcio contou que as crianças desenham as peças e depois o modelo é desenvolvido em conjunto. As peças são criativas e têm um estilo muito alegre, poderiam ser usadas numa festa à fantasia, garantiu. Para Mercês, o importante é que esse trabalho conscientize as crianças quanto uma melhor utilização do material reciclável. E também desenvolve a auto-estima, o trabalho em grupo e o espírito de solidariedade.
Os adolescentes começam a pensar a questão da beleza física, a trabalhar a auto-estima, observou Mercês. Eles participam por vontade própria, esse trabalho é pra nós uma grande conquista.. Ela contou que muitos adolescentes atendidos são usuários de drogas e o projeto ajuda na recuperação deles.
As crianças estão ansiosas para o desfile, principalmente para aquelas que vão participar pela primeira vez. Eu estou muito nervosa, mas também com muita vontade que chegue logo o desfile, contou Bruna Amador Martins, de dez anos, que vai pisar pela primeira vez na passarela. Ela criou sua própria roupa, que foi feita de chapéu, algodão cru e barbantes.


