De um lado, empresas oferecem vagas e de outro, pessoas com deficiência que querem trabalhar. Porém, mesmo com a oferta crescente de oportunidades, muitos cargos não são preenchidos. As empresas reclamam de falta de qualificação. Já os candidatos se queixam do preconceito e do desconhecimento por parte dos empregadores. Outro problema é o medo da discriminação e a superproteção da família. Entidades de apoio à pessoa com deficiência se esforçam para mudar esse conceito. E algumas empresas buscam alternativas para preencher a cota, capacitando seus candidatos ou adequando vagas, além de incluir a família no processo.
"A lei que determina as cotas não é relativamente antiga, data de 1991, mas começou a haver uma preocupação maior em cumpri-la depois que o Ministério do Trabalho passou a fiscalizar de forma mais intensa", explica a psicóloga Eliza Tanaka, professora da Universidade Estadual de Londrina e pesquisadora na área de formação profissional de Pessoas com Deficiência(PCD) e sua inclusão no mercado de trabalho.
Segundo ela, a falha na formação profissional dessas pessoas é um fator que dificulta o ingresso no mercado de trabalho. Além disso, também influenciam a falta de escolarização e o Benefício da Prestação Continuada (BPC), no valor de um salário mínimo. "Muitos preferem ter a garantia de um benefício do que ir para o mercado de trabalho sem a certeza se vai ficar lá. Ele não consegue entender que indo para o mercado de trabalho pode ganhar até mais."
Segundo Eliza, a forma como a família lida e educa também é importante. "Pode haver rejeição ou superproteção. Muitos se acostumam com a família fazendo tudo por ele e acabam não tendo autoestima para buscar outras coisas. Às vezes a família não cobra do indivíduo. Como qualquer pessoa ele precisa ser cobrado, tem direitos e deveres", diz.
Porém, segundo a pesquisadora, o problema maior é a falta de conhecimento e de informação do que é a deficiência. "Acredito que fatores biológicos geram limitação e atividades que exijam determinado sentido vão ser limitadas. Mas a deficiência é muito mais social do que biológica. A sociedade enxerga só a limitação e não o potencial que a pessoa tem. Em função dessa concepção que a sociedade cria da pessoa com deficiência, acaba também definindo suas ações em relação a essa pessoa", afirma.

Inclusão
Helena Rosa Gois, de 21 anos, ficou cega aos 9 anos, devido a um tumor no cérebro. Morando em Londrina há um ano e meio, ela já fez cursos de informática, inglês e passou por cerca de 20 entrevistas de emprego, sem sucesso. "Em Curitiba eu trabalhava em uma empresa como teleatendente, mas me mudei para cá quando me casei e agora não consigo emprego. Posso atuar como auxiliar administrativo, telefonista, telemarketing, entre outras coisas", diz.
Ela afirma que quando vai para a entrevista leva o próprio computador, com o software de leitura de tela . "Acho que falta conhecimento, por isso explico que o programa é gratuito, não precisa de licença e não trará problemas para a empresa, mas percebo que muitos preferem contratar pessoas com outro tipo de deficiência."
Mesmo recebendo o (BPC), Helena afirma que prefere trabalhar. "O trabalho é uma das melhores formas de inclusão", ressalta. "Cada um tem um tipo de deficiência, mesmo aqueles que parecem 'normais', mas as pessoas colocam nossa deficiência acima de tudo, acham que somos inferiores. Não sou melhor nem pior do que ninguém. Por isso digo aos pais que não subestimem seus filhos com deficiência, incentive-os a andarem sozinhos, a estudarem, afinal, os pais não são para sempre. Ser autônomo também é uma questão de autoestima", alerta.

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