O desafio do contraturno
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sexta-feira, 03 de abril de 2009
Marta Ortega<br>Reportagem Local 
Professores da rede municipal passaram ontem por um treinamento para atender alunos no contraturno nas 80 escolas de Londrina. Cento e oitenta professores foram capacitados por meio de palestras e discussões de grupo que, este ano, abordaram o tema motivação. A capacitação é realizada todos os anos.
O atendimento do contraturno na rede municipal acontece desde 1990 e foi implantado para atender alunos com defasagem pedagógica de aprendizagem. No ano passado 5,4 mil alunos passaram pelas salas de contraturno. Segundo a diretora de ensino da Secretaria de Educação, Maria Inês Galvão de Mello, o trabalho é uma formação continuada dentro do programa da secretaria. ''Os alunos recebem atendimento individualizado em determinadas disciplinas que apresentam maior dificuldade.''
O tempo de permanência no contraturno é de três meses. As salas são formadas por 12 alunos para que o atendimento seja mais completo. O aluno recebe orientação individual com duas horas de aula por dia. O atendimento é autorizado pelos pais e o trabalho desenvolvido pelos professores é avaliado a cada 15 dias por dois assessores pedagógicos e dois psicólogos da Secretaria de Educação.
De acordo com Maria Inês, no ano passado 85% dos alunos foram recuperados e encaminhados de volta para as salas de aula em condições de acompanhamento da turma. ''Esses alunos estudam no período normal e depois vão para as salas de contraturno, onde recebem o reforço com trabalhos pautados em jogos e de forma lúdica. Sanada a dificuldade, os alunos retornam para a sala de aula.''
No geral, os alunos que apresentam maiores dificuldades de aprendizagem são os que vivem em bairros mais carentes. ''São crianças que às vezes ficam sozinhas, sem acompanhamento de tarefa porque os pais trabalham fora. Mas o índice de recuperação é muito bom'', afirma Maria Inês. Nos casos em que os alunos não são recuperados totalmente, na série seguinte eles são encaminhados novamente para o contraturno.
Comportamento
Na escola Municipal Arthur Thomas, na Zona Sul, 16 alunos de 1 e 2 séries já estão recebendo o reforço do contraturno, duas vezes por semana pela manhã, e outros 16 de 3 e 4 séries no período da tarde. O atendimento é feito pela professora Neusa Santini Maricato, com atividades que aplicam regras de comportamento, conteúdo de acordo com a necessidade de cada criança e jogos.
''A participação dos alunos é muito boa. Eles se envolvem e rapidamente conseguem acompanhar a turma e voltar para a sala de aula com os demais colegas'', afirma a supervisora da escola, Karen Sabec Viana. Segundo ela, toda a turma, num total de 24 alunos, terá o reforço a partir da próxima semana. ''São alunos do primeiro ano do ciclo de 9 anos. Percebemos que muitos, principalmente os que vieram de outros estados, estão com um pouco de dificuldade.''
Na maior parte dos casos, de acordo com a supervisora, os alunos não têm acompanhamento em casa por parte dos pais. ''São crianças que fazem as tarefas sozinhas, não têm acompanhamento adequado da família e acabam apresentando maior dificuldade.''
Também na escola Municipal José Garcia Villar, no Jardim Interlagos, 48 alunos da 2, 3 e 4 séries recebem o acompanhamento no contraturno este ano. Eles estão divididos em duas turmas, no período da manhã e da tarde.
Segundo o diretor da escola, Lucas Gonçalves de Souza, o ensino diferenciado, de acordo com a situação de cada aluno, dá base para que eles retornem à sala de aula no período normal. ''A maioria não fica os três meses do contraturno. Muitos recuperam rapidamente e retomam o trabalho com a turma regular.'' Pelos cálculos do diretor, dos 48 alunos, apenas dez ficam os três meses no contraturno.


