O desafio de usar bem a tecnologia
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segunda-feira, 07 de fevereiro de 2011
Silvana Leão<br>Reportagem Local 
Londrina - Mãe de duas filhas, uma de 17 anos e outra de 10 anos, a psicopedagoga Paula Cristina Bueno Salvador, de Londrina, tem sentido na pele a influência da tecnologia sobre as crianças e a dificuldade encontrada pelas famílias de barrar a entrada dos aparelhos eletrônicos em casa. Mas em vez de tentar evitar o inevitável, ela e o marido, o comerciante Alexandre Caroli Salvador, optaram pelo uso responsável de computadores, videogames, celulares e outros itens considerados indispensáveis pela nova geração.
O caminho adotado pela família Salvador é o recomendado por especialistas, que evitam rotular a tecnologia como mocinha ou como vilã. Os jogos eletrônicos já foram acusados de causar problemas como obesidade, déficit de atenção, timidez e agressividade excessivas. Outros estudos, por sua vez, alardearam seus benefícios no desenvolvimento de noção espacial, habilidades visuais e motoras e no combate ao declínio mental que surge com a idade. Por isso, o melhor é encontrar o equilíbrio, aproveitando apenas o que as novidades tecnológicas podem trazer de bom.
A tarefa nem sempre é fácil. Para o psicólogo Cristiano Nabuco de Abreu, coordenador do Ambulatório dos Transtornos do Impulso do Hospital de Clínicas de São Paulo, a diferença entre o uso abusivo e o recreacional da internet e dos jogos eletrônicos ainda é um pântano mesmo para especialistas. Essa geração digital, diz ele, foi educada sob a perspectiva de estar conectada e tem características muito diferentes das anteriores. ''Possuem mais amigos virtuais que reais. Preferem conversas online. Até seus bichos de estimação são virtuais'', afirma.
As complicações começam quando o jovem começa a migrar da vida real para a virtual e passa a negligenciar atividades comuns. Como esse uso excessivo não deixa sinais físicos, a diferenciação acaba sendo feita pelo prejuízo causado nas diversas áreas da vida, explica o psiquiatra Daniel Spritzer, coordenador do Grupo de Estudos sobre Adições Tecnológicas (Geat), do Rio Grande do Sul. ''A esfera escolar é geralmente a mais afetada, com uma marcada queda no rendimento.''
Segundo o psiquiatra Aderbal Vieira Júnior, do Ambulatório de Tratamento de Dependências Não Químicas da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), não existe um ''número mágico'' que caracterize a dependência. ''Há pessoas que vão sofrer prejuízos com duas horas diárias de uso e outras que podem jogar oito horas e continuar bem. É preciso olhar o contexto'', diz. A relação disfuncional com o jogo, continua, é sintoma de um problema anterior. (Com Agência Estado)


