O desafio de reduzir a evasão
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sexta-feira, 17 de outubro de 2014
Paula Barbosa Ocanha<br>Reportagem Local 
Londrina - O 14º vestibular para povos indígenas foi lançado pelas universidades estaduais do Paraná, com provas previstas para dezembro. No entanto, as discussões para diminuir a evasão acadêmica e aumentar o índice de indígenas formados continuam entre os representantes da Comissão Universidade para os Índios (Cuia) de todo o Estado.
Com objetivo de reduzir a evasão, foi implantado neste ano, na Universidade Estadual de Londrina (UEL), o Ciclo Intercultural de Iniciação Acadêmica, com duração de um ano, para que o aluno indígena ingressante avalie melhor o curso antes de fazer a matrícula.
A cada ano, desde a criação da lei garantindo o direito dos índios ingressarem no ensino superior do Paraná, em 2001, seis vagas suplementares são disponibilizadas em cada uma das sete universidades do Estado, em todos os cursos disponíveis. Nas demais universidades estaduais, no momento da inscrição, o aluno já deve escolher o curso, mas na UEL o processo agora é diferente. "Os seis alunos que passam no vestibular ficam um ano fazendo um curso voltado à educação básica, para igualar o nível com os demais estudantes, e também fazendo integração à dinâmica da faculdade, discutindo temas que têm a ver com a instituição, fazendo pesquisas sobre a profissão que pretendem ter e ainda assistindo aulas de diversas turmas para amadurecer a ideia de qual curso ingressar", explica o presidente da Cuia de Londrina, Wagner Amaral.
A presidente da Cuia estadual, Isabel Cristina Rodrigues, acredita que o ciclo criado pela UEL é o caminho para aumentar o número de indígenas formados. "É preciso oferecer esse momento inicial de informação. Inserir o aluno no ambiente universitário, já que eles possuem formas diferentes de interação, e reconhecer essa desigualdade é uma forma de incluir. Essa inserção intelectual, política e até dos conteúdos exigidos proporciona essa interação, e pode reduzir a evasão acadêmica", avalia. Atualmente, a evasão de alunos indígenas está em 38%.
FORMADOS
Desde 2001, 40 integrantes de tribos do Estado se formaram. A maioria deles em áreas como saúde e de licenciatura. Segundo o presidente da Cuia da UEL, eles se formam basicamente pensando em trabalhar na escola ou no posto de saúde da aldeia de origem. "Fiz uma pesquisa sobre isso, e quase todos os formandos da UEL voltaram para a aldeia. E se não conseguiram trabalho lá, arrumaram emprego no município vizinho. Hoje, dos nossos alunos, 37% fazem curso de licenciatura, e 33%, na área da saúde", destaca.
Na UEL, sete índios se formaram em 14 anos da lei de inclusão: uma médica, dois dentistas, um jornalista, um assistente social, um médico veterinário e uma secretária executiva.
Atualmente, 145 alunos estão cursando o ensino superior, em diversas áreas, em todo o Paraná. Dois cursam pós-graduação. As duas instituições que mais contam com estudantes são a UEM, de Maringá, com 34; e a UEL, com 30.


