O desafio de conseguir um emprego
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segunda-feira, 18 de abril de 2011
Érika Gonçalves <br> Reportagem Local 
Dez anos após a instituição do Vestibular Indígena no Paraná, uma nova necessidade começa a se delinear. Já formados, os profissionais buscam a inserção no mercado de trabalho, de preferência nas aldeias, onde possam colocar seu conhecimento à disposição da comunidade de origem. Até hoje se formaram 25 profissionais, segundo levantamento da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG).
O interesse em ajudar a comunidade aparecem principalmente na hora de escolher os cursos. Os mais procurados são Educação Física, Pedagogia e os da área de saúde.
O professor doutor Wagner Roberto do Amaral, da Universidade Estadual de Londrina (UEL), fez sua tese de doutorado baseada nos indígenas que entram para a universidade e sua relação com a comunidade universitária. Segundo ele, no início a preocupação era criar acesso diferenciado para que os indígenas pudessem frequentar a universidade e fazê-los permanecer nos cursos. A contrapartida do governo veio através de uma bolsa. Agora, a necessidade é inserí-los no mercado de trabalho.
''Depois de formado, o indígena tem uma dupla responsabilidade, porque tem que mostrar a competência também por causa de sua etnia. Já se discute hoje a formação de vagas específicas. Esse é um movimento que ainda está se fazendo. A década de 1990 foi marcada pela busca da educação básica, a década de 2000 pelo ensino superior e agora vamos buscar o emprego'', atesta.
Desistência
Ainda são poucos os indígenas que concluem o curso. As diferenças culturais fazem com que os alunos muitas vezes acabem desistindo e a falta de estrutura colabora para isso. ''Os professores precisam de formação para ajudar a inserí-los. Para as universidades é a chance de fazer intercâmbio multicultural e os alunos precisam ser acolhidos'', explica.
Nesse quesito, a UEL e a Universidade Estadual de Maringá (UEM) são referências, uma por ter maior proximidade com a aldeia e a outra por oferecer casas aos alunos, através de uma associação indigenista e colaboração da prefeitura. ''O Paraná foi pioneiro no assunto, mas ainda estamos na experimentação de muitas coisas.''
Segundo Amaral, o indígena tem que ter um ''duplo pertencimento'' - à comunidade acadêmica, com todas suas regras, e à sua aldeia. ''O aluno enfrenta preconceito por parte da comunidade acadêmica porque supostamente entrou com vantagem na universidade. Ele tem desconhecimento acadêmico, de conceitos básicos. Por outro lado, se fica muito afastado da aldeia ele passa a ser visto com preconceito também, porque começa a falar diferente, aprende coisas que os que ficaram na aldeia não sabem.''


