O desafio da inclusão de alunos especiais
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terça-feira, 27 de setembro de 2011
Michelle Aligleri <br> Reportagem Local 
A inclusão de alunos com deficiência física e intelectual no ensino regular é uma determinação do Ministério da Educação desde 2004. Porém, o assunto já vem sendo debatido desde 1990 e gradativamente foram criadas leis que exigem que o aluno frequente as salas regulares. Apesar de tanto tempo de discussão, muitos professores não estão preparados para lidar com estes alunos.
De acordo com a psicóloga e responsável pela área de Transtorno Global de Desenvolvimento (TGD) no Núcleo Regional de Ensino de Londrina, Marina Ortega Pitta, apesar do NRE oferecer preparo presencial e a distância aos docentes, ainda existem muitas dificuldades. ''A maior delas é a acolhida do aluno. O professor precisa abrir mão do medo que tem e buscar outros recursos para ensinar este aluno. É preciso respeitar o estudante e buscar estímulos de aprendizagem'', disse Marina, que participou recentemente do VII Encontro sobre Necessidades Educacionais Especiais e Inclusão, realizado no Instituto de Educação Estadual de Londrina (Ieel).
Para a psicóloga, a questão envolve uma mudança cultural. ''É necessário que o educador olhe cada aluno de forma diferente. Na verdade nenhum curso ou treinamento é suficiente se o professor não tiver disponibilidade para aprender a lidar com estes alunos'', destacou. Ela ressaltou que o primeiro passo no processo de mudança dos professores é estar disposto a trocar experiências com outros educadores.
Para a professora Maria Regina Miorali, que também participou do curso de capacitação, o aumento de alunos com deficiência na escola regular fez com que muitos buscassem formação complementar. ''Eles já estão em sala, mas a escola ainda está aprendendo a lidar com estas crianças'', disse. Ela afirmou que a participação em cursos faz muita diferença. ''Percebemos que além dos conhecimentos adquiridos, os cursos motivam e fazem com que os professores voltem mais comprometidos e conscientes para a sala de aula. Percebemos ainda uma redução grande no preconceito'', garantiu.
Preconceito
A professora de Pedagogia da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Zuleika Aparecida Claro Piassa, afirmou que a educação é um direito das crianças mas acaba sendo prejudicada. ''Por mais que o Estado crie condições para garantir este direito, percebemos que há resistência do corpo docente em trabalhar com a criança'', disse. Ela afirmou que muitos professores acham que é preciso estar muito preparado para atender estes alunos. ''Na verdade o que precisa é compreender o quadro e criar algumas adaptações para que as crianças possam se desenvolver'', completou Zuleika, que também é coordenadora de Pedagogia da Unopar.
Ela disse que o atendimento oferecido aos alunos não é satisfatório, mas destaca que existe um esforço por parte do Estado para atender aqueles com necessidades especiais. ''Em primeiro lugar, para melhorar o ensino para estas crianças é necessário preparar os professores. Em segundo lugar está a melhora nas condições de trabalho destes profissionais e em terceiro está a promoção de uma consciência nacional sobre a importância da educação para todas as pessoas'', elencou.
Para ela o desafio não se limita as esolas. ''As pessoas precisam compreender que as crianças com necessidades especiais não precisam se integrar à sociedade, ao contrário, a sociedade é que precisa conhecê-las, absorvê-las e conviver com as diferenças'', finalizou.


