Londrina - Ainda pouco conhecido, mas com alto índice de incidência e mortalidade, o câncer bucal é considerado um grave problema de saúde pública no Brasil e no mundo. Segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca), a estimativa é de que apenas em 2013 tenham surgido 14.170 casos no Brasil, sendo 9.990 homens e 4.180 mulheres. Ainda segundo o Inca, a incidência de câncer de boca e de faringe no Brasil tem aumentado nos últimos 30 anos.
No dia 27 de outubro, considerado o Dia Nacional de Combate ao Câncer, dentistas estarão em pontos de grande circulação de pessoas em Londrina e Cambé (Região Metropolitana de Londrina) para orientar a população. A campanha é promovida pelo Conselho Regional de Odontologia do Paraná - Delegacia de Londrina e Associação Odontológica do Norte do Paraná, em parceria com estudantes de Odontologia da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Unopar, Instituto Federal do Paraná e profissionais das prefeituras de Londrina e Cambé.
Em Londrina haverá distribuição de folders e orientação de como fazer o autoexame para identificar o câncer bucal no Terminal Urbano Central durante o dia e nos terminais de bairro durante a noite. Em Cambé, a ação será realizada no Calçadão central. Também haverá orientação sobre os cuidados odontológicos em pacientes com câncer, já que segundo Lázara Regina de Rezende, vice-presidente da Associação Odontológica, os tratamentos de quimioterapia e radioterapia podem apresentar efeitos colaterais na cavidade bucal, trazendo desconforto e dificultando alimentação do paciente.
Fatores de risco
O câncer bucal já ocupa o 4º lugar em incidência no mundo e no Brasil, é o quinto em incidência e apenas 20% são detectados precocemente, durante exame médico ou odontológico. Dos tumores malignos que atingem os brasileiros, cerca de 10% estão na boca. Segundo Lázara, que também é delegada do Conselho Regional de Odontologia de Londrina, o desconhecimento dos sintomas aliado aos hábitos de vida fazem com que a doença seja detectada apenas em estágio avançado.
Entre os fatores de risco estão o tabagismo e o consumo de álcool, o que explicaria a preponderância dos casos entre os homens. Porém, a mudança dos hábitos femininos, como o aumento do número de fumantes, tem contribuído para a incidência crescer entre as mulheres, segundo pesquisas do Inca.
"O sol também é um fator de risco e explicaria porque o Paraná está entre os estados com maior incidência, inclusive acima da média nacional. É uma região com pessoas de pele mais clara e também temos os hábitos de tabaco e álcool. Entretanto, ainda é necessário maior capacitação dos nossos dentistas, para que possam orientar melhor seus pacientes, principalmente os com hábitos de risco. Por isso estamos promovendo também campanhas educativas para esses profissionais", explica Lázara.

Sintomas
O câncer de boca afeta lábios e o interior da cavidade oral. Dentro da boca devem ser observados gengivas, mucosa jugal (bochechas), palato duro (céu da boca) e língua (principalmente as bordas), assoalho (região embaixo da língua) em busca de lesões e manchas. O câncer do lábio é mais comum em pessoas brancas e ocorre mais frequentemente no lábio inferior. Por isso, segundo Lázara, é importante o uso de protetor solar, inclusive o labial. "Trabalhadores que atuam sob o sol, como agricultores, operários da construção civil e carteiros, entre outros, devem se proteger com o filtro solar e também um chapéu de aba grande, mas não o boné."
Embora o álcool seja um fator de risco, os enxaguatórios bucais com álcool, segundo ela, não oferecem risco devido à concentração pequena do composto. Outras lesões comuns na boca como o herpes e a afta não são considerados fatores de risco. "Dentre os fatores de risco do carcinoma oral podem ser citados, além das substâncias químicas como tabaco e álcool, os agentes físicos - como traumas mecânicos - e os agentes biológicos. Há também fatores intrínsecos, que correspondem aos estados sistêmico ou geral do indivíduo", explica Lázara.
Assim como em muitos outros tipos de câncer, o diagnóstico precoce no câncer bucal aumenta a chance de cura e de sobrevida do paciente. Segundo a dentista, se diagnosticado no estágio inicial as chances de cura chegam a 95%. Depois de detectada a lesão é feita uma biópsia e a remoção cirúrgica da lesão, seguido do tratamento com quimioterapia e radioterapia.
"Geralmente só a quimio e a radio não são suficientes e por isso durante a biópsia já retiramos o local lesionado", explica a profissional. Para prevenir a doença, além de evitar os fatores de risco, recomenda-se uma boa alimentação com frutas e vegetais.

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