MaringáDuas amigas esperavam um colega no ambulatório de um hospital do centro da cidade quando surgiu o homem reclamando da demora no atendimento da sua mulher. A esposa estava sentada com cara de dor e também resolveu fazer coro com o marido. ‘‘Faz uma hora e meia que estou aqui e até agora ninguém veio me atender, não aguento mais esta dor’’, reclamava a senhora.
Curiosas, as duas amigas decidiram perguntar o que havia acontecido. A mulher fez questão de se levantar e abrir a blusa para mostrar as marcas provocadas por um tombo. Uma das amigas, aguçada ainda mais pela curiosidade, perguntou para a mulher: ‘‘O que aconteceu? Como a senhora caiu?’’ A resposta veio em seguida: ‘‘Fui olhar a caixa d’água do vizinho e o muro cedeu e eu cai’’. Foi difícil para as duas amigas controlarem a musculatura da face para não rir. Afinal, em suas mentes, surgiram frases como esta: ‘‘Isso que dá cuidar da vida dos outros’’.
A senhora, ainda inconformada com a falta de atendimento, continuou a conversa: ‘‘Fui olhar para ver se na caixa tinha aqueles negocinhos (sic) que provoca aquela doença...sabe qual é?’’, indagou para as duas amigas. Uma delas repondeu em tom de sabe-tudo: ‘‘A senhora foi ver se tinha foco do mosquito da dengue’’. ‘‘É isso mesmo’’, respondeu aliviada a mulher ao perceber que uma das moças sabia o nome ‘‘daquilo’’ que ela tinha ido olhar na caixa do vizinho.
Entusiasmada com o diálogo, a mulher ainda comentou que foi ver a caixa d’água do vizinho porque no quintal dela estava tudo certo. ‘‘Vocês entendem né!? A gente cuida, mas e os outros...a gente nunca sabe’’, disse a mulher que, em seguida, por causa da confusão armada pelo marido, foi chamada para o atendimento de emergência.
Menos mal. Se o atendimento em pronto-socorro continua o mesmo, pelo menos as campanhas do governo para evitar a dengue no quintal do vizinho tem surtido efeito.

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