O crime não compensa de forma alguma
Londrina - Valdecir Vieira de Lima Junior, de 23 anos, que cumpre pena em regime semiaberto no Centro de Reintegração Social (Creslon) e usa uma tornozeleira eletrônica para monitorar os seus passos. "Aceitei na hora dar o meu testemunho para os alunos. Tem que estudar para que eles sejam alguém na vida. Eu quero que os alunos não cometam as mesmas burradas que eu cometi e não tenham essa vida errada que eu tive até hoje", destacou. Ele revelou que começou a assaltar caixas eletrônicos com 15 anos e durante o período em que viveu no crime, seus parentes foram morrendo. E ele foi preso quatro vezes depois que se tornou maior de idade.
"Na época eu fiquei viciado em assaltar banco. Foram vários. Eu fazia isso porque me dava prazer. Era uma adrenalina, mas no final não consegui nada. Tudo o que roubei, eu gastei. O dinheiro te dá um prazer momentâneo, mas o crime não compensa de forma alguma, nem pelo prazer, nem pela adrenalina", relatou.
Para justificar, ele conta que quase perdeu a vida em três oportunidades. "Uma vez levei um tiro na altura da bacia e quase morri. Depois levei sete tiros de meu próprio primo e na última vez em que fui baleado a polícia deu dois tiros em meu peito e um na nuca que, de novo, eu quase morri. Aí eu pensei que aquilo não era vida para mim", revelou.
Lima Junior diz ter sentido que tinha que mudar de vida o mais rápido possível e acredita que tudo isso foi um aviso que Deus estava lhe dando. "Comecei a mudar de vida dentro da cadeia mesmo. Pedi ajuda para o diretor da cadeia e ele me colocou em uma escola, onde comecei a fazer cursos de aplicador de revestimento cerâmico e instalador hidráulico. Fiz também a prova do Enem", enumerou.
Sua experiência como detento também não foi boa: enfrentou a superlotação ("o distrito tinha capacidade para abrigar 80 presos, mas tinha 200") e uma infecção estomacal. Ele relatou que começou a pensar na vida com a família. "Tenho uma menina, de 2 anos, e um menino, de 6 anos. Eles têm o pai como espelho e tenho que passar a eles a minha parte boa. Vou poder falar para eles que eu estudei, que fui trabalhador. É difícil, mas eu vou superar e tenho minha mente firme. Não penso em voltar para o crime." (V.O.)





