Arlindo Oliveira sentiu seu coração tremer quando foi chamado para escolher o lote de sua casa. Idalina Souza passou por isso achando tudo natural, mas chorou uma noite inteira quando recebeu em suas mãos a primeira parcela do dinheiro para começar a construir a casa. Como eles, José Pizzatto sentiu as pernas amolecerem quando entrou na loja para fazer sua primeira compra de material. Eles negociaram preços, escolheram os materiais e contrataram gente para trabalhar.
A autogestão implantada pela Cohapar a partir de 1995 está sendo aplicada também às 20 mil moradias não concluídas do programa Casa da Família, do governo Requião. Somando com as 12 mil do programa Casa Feliz, são 32 mil residências em dois anos e devem ser 60 mil até o final do próximo ano. A administração atual deve superar em 35 mil o número de casas construídas pelo governo passado, que foi de 25 mil unidades em quatro anos.
Entre as muitas vantagens apontadas pelo Secretário Rafael Dely, a individualidade das casas é uma das mais importantes. Cada família recebe um projeto de módulo inicial de 44,5 metros quadrados, que pode ser posicionado de diferentes maneiras no terreno. É a partir daí que cada um vai colocando sua idéia de casa. Na definição das mudanças e nos detalhes, os moradores recebem a assistência de engenheiros e arquitetos da Cohapar, que garantem a viabilidade do projeto de acordo com as condições e necessidades de cada família.
‘‘O morador tem ampla possibilidade de expressar sua idéia de moradia, proporcionando a cada região a preservação de sua cultura construtiva. Essas casas são muito melhores porque resultam de uma criatividade que valoriza a autonomia. Elas têm raízes, apegos e individualidade’’, destaca Dely. O secretário lembra que os projetos habitacionais do programa não se limitam às casas, ‘‘mas procuram também preservar a topografia natural do terreno e das áreas verdes, criando bairros integrados naturalmente à cidade e utilizando a malha viária já existente’’.
‘‘A filosofia da Cohapar pode ser resumida em duas palavras: respeito e confiança’’, diz.
A autogestão do programa Casa Feliz não utiliza construtoras, que geralmente concentram suas compras em um único fornecedor. A construção quase artesanal do Casa Feliz movimenta o comércio e a economia de cada município, empregando mão de obra da região. Quase sempre os recursos utilizados na construção das casas superam o valor do financiamento (R$ 4,5 mil) - as famílias usam pequenas poupanças e até mesmo a economia do aluguel que deixa de ser pago, para aplicar na construção.
Segundo cálculos da Cohapar, o governo movimentou R$ 45 milhões durante o ano passado no mercado de trabalho e no comércio de materiais de construção. E grande parte desses recursos foi aplicada em pequenos municípios. Dados da Associação dos Comerciantes de Materiais de Construção Civil do Paraná indicam que há um aquecimento de 20 a 30% nos mercados dos municípios em que se inicia uma obra da Cohapar.
A geração de empregos também acompanha a demanda: são 30 mil trabalhadores - entre serventes, carpinteiros, eletricistas, encanadores, pintores e vidraceiros - que ocupam vagas geradas em um ritmo que supera qualquer previsão ou padrão de mercado de trabalho. Segundo a Federação das Indústrias do Estado do Paraná, cada vaga na indústria ou no comércio exige investimentos de R$ 10 mil a R$ 15 mil, para pessoas com alguma qualificação e salários entre R$ 400 e R$ 500. O programa Casa Feliz gera um emprego a cada R$ 1,2 mil de investimento, sem qualquer demora.
‘‘Como os trabalhadores da construção civil têm baixa qualificação e maior dificuldade de colocação em outras atividades, pode-se verificar o grau de importância de um programa como este para a economia do Paranᒒ, afirma o secretário Rafael Dely.

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