Quando a idéia caiu na mente até ela achou que tudo poderia ser meio estranho, mas decidiu apostar. Foi até uma loja e saiu de lá convencida a desafiar os colegas de profissão e a enfrentar o trânsito de Londrina de uma forma diferente. E deu no que deu. Há três semanas, aos 44 anos, a taxista Helena Maria de Morais se transformou na Mamãe Noel taxista e viu sua rotina de 15 horas de trabalho ganhar cores bem mais divertidas.
  No começo tudo soava muito estranho. Helena conta que começou a pensar no assunto no Natal do ano passado, quando recebeu uma chamada para transportar uma pessoa muito especial: sim, era ele mesmo, o Papai Noel. ‘‘Foi muito emocionante. Nas ruas, as pessoas buzinavam, desejavam Feliz Natal, queriam abraçar, tirar foto... Foi uma coisa que me marcou muito’’, recorda, marejando os olhos com a lembrança. O Natal passou, o ano terminou, começou de novo e a idéia de aproveitar de forma mais positiva esta época não parava de martelar a cabeça da taxista, que já completou 10 anos de profissão.
  Quando comentou sobre o assunto com os colegas do ponto as primeiras previsões, segundo Helena, foram desanimadoras. Eles diziam que a colega iria perder clientes, pois ninguém iria circular com uma Mamãe Noel ao volante. Ela confessa que ficou temerosa mas decidiu dar de ombros e apostar na própria intuição. ‘‘Meus amigos diziam que era muito ‘mico’, que não iriam trabalhar junto comigo, mas agora não me dão sossego. Ficam perto o tempo todo e fazem o maior barulho com o sino. Virou uma festa’’, gargalha, com uma simpatia contagiante.
  Entre a clientela não foi diferente. A taxista admite que chegou a tremer as pernas quando recebeu a primeira chamada como Mamãe Noel porque até o carro – um modelo Prisma 1.4 recém-comprado – estava decorado para a ocasião. Para piorar, ‘‘os clientes eram três bonitões de terno’’ que estavam indo para uma festa. Daí para frente, o destino se encarregou de escrever mais um belo conto de Natal. ‘‘Eles entraram e já começaram a festejar. Pediram para tirar fotos comigo e acabei fazendo mais três corridas por causa deles’’, comemora. As gorjetas também começaram a pingar com muito mais freqüência.
  No trânsito, agora é a taxista quem se deleita com a alegria que explode dos outros carros por onde passa. As buzinas, o mau humor, as fechadas, pelo menos neste dezembro, deram lugar a sorrisos carinhosos e gentilezas. ‘‘Como Mamãe Noel, descobri que isso não é só para os outros. A gente acaba fazendo o bem para a gente mesmo’’, agradece.
  Mesmo assim, ela aproveita para dividir o que recebe. Como a criançada entra em êxtase quando a vê, Helena se previne com pacotes de balas e pirulitos. Entre os adultos, o caminho é inverso. É ela quem pede brinquedos para doar aos pequenos que correm o risco de celebrarem um Natal em branco e preto.

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