O comércio na porta de casa
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 12 de junho de 2009
Marian Trigueiros<br> Reportagem Local 
Eu quero uma casa no campo, onde eu possa ficar do tamanho da paz... A música de Zé Rodrix e Tavito, eternizada na voz de Elis Regina, é uma espécie de hino para quem gosta de tranquilidade. Porém, um sonho distante de quem mora nos grandes centros.
Mas será que quem mora em locais de grande movimento realmente concorda que é preciso estar longe de tudo para viver bem? Ou o vaivém de carros, pessoas, concentração de comércio pode acabar com o descanso dos mais caseiros?
O certo é que com o crescimento e a expansão das cidades, a movimentação chegou aos bairros. Tanto que hoje, em determinados lugares, se o cidadão não quiser se dar ao trabalho de ir ao Centro, encontra tudo o que precisa na porta de casa.
Uninamidade entre os ouvidos pela reportagem, as facilidades em se morar em ruas de movimento intenso são fator de vantagem. Fui um dos primeiros moradores dessa rua, há 29 anos. Não tinha nada; para onde se olhava, eram somente cafezais. Agora, tudo o que preciso está ao alcance das mãos, ou melhor, dos pés, brinca o massagista Daniel dos Santos Siqueira, que mora na Avenida Saul Elkind.
Para ele, o movimento da avenida é igual ao do centro da cidade. Não muda em nada. A diferença é que o comércio está na porta da minha casa. Está tão na porta de casa que até ele se rendeu e atende pessoas em sua residência para fazer sessões de massagem. Porém, enquanto a proximidade dos estabelecimentos é motivo de satisfação, o barulho causado pelo grande número de carros e ônibus durante o dia é o vilão da história. Mas a gente acaba se acostumando, isso é o de menos. O ruim é o perigo de sair à noite, afirma.
Um pouco mais distante, mas não diferente, é a realidade de uma moradora da Avenida Inglaterra. Faço tudo a pé. É só sair de casa que encontro tudo no comércio da avenida que, apesar de toda a movimentação, ainda guarda o jeitinho calmo de bairro. Dá até para passear tranquilamente com o cachorro, destaca a bancária Cenir Zemuner, que reside há três anos em um prédio localizado na Região Sul.
Já para a aposentada Benícia Almeida, que está há 16 anos no local, o barulho é mais uma vez um ponto negativo. Durante o dia, a televisão tem que ficar com o som alto. Se não são os ônibus passando a todo o momento, são os carros com som alto de madrugada. Mas, fora isso, tenho tudo o que preciso. Quer coisa melhor que um mercado na frente de casa? Além disso, minha igreja fica pertinho. Mesmo com todo o barulho, não troco isso por nada, confessa.
Se nos bairros a movimentação é grande, imagine no centro da cidade. Morando há 43 anos no coração de Londrina, o bancário aposentado Ubirajara Alexandrino só faz elogios à antiga e conhecida Rua Sergipe. Depois do horário de rush, tudo isso fica uma calmaria só. Durante o dia, tenho tudo pertinho; economizo sola de sapato. Já à noite, não tem barzinho com aquele som alto por perto. E ainda posso contemplar essa visão linda da praça. Não troco por nenhum outro lugar, garante, referindo-se à Praça Rocha Pombo.


