O Centro Cívico já teve uma praça
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quinta-feira, 08 de março de 2001
Giovani Ferreira 
Quando o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) ocupou a Praça Nossa Senhora de Salete (1999), no coração do Centro Cívico, em Curitiba, era para ser apenas mais um dos tantos movimentos sociais que já usaram o local como palco de luta. Por ali passaram professores, bancários, funcionários públicos, servidores da saúde e de vários outros segmentos que tinham a praça como um local democrático, espaço ideal para protestar, reivindicar e acima de tudo brigar pelos seus direitos.
No entanto, não eram somente os grupos organizados que desfrutavam do local. A praça, como qualquer outra, também tinha o seu romantismo. Famílias passevam, crianças brincavam, jovens namoravam e circulavam livremente pelo lugar, que no passado já foi um concorrido ponto de encontro dos curitibanos. Além disso, muitos movimentos filantrópicos, comunitários e do próprio poder público ocuparam a praça para divulgar o seu trabalho.
De repente, em plena madrugada, aproveitando o repouso do inimigo, os sem-terra são retirados à força da praça. Junto com os sem-terra também saem da praça os professores, bancários, as famílias, as crianças e todos ficam paticamente proibidos de frequentar o lugar. Grades de ferro, como aquelas que protegem propriedades particulares, cercaram o local.
Hoje, ao invés de um espaço popular, como deveria ser toda e qualquer praça, o acesso à Nossa Senhora de Salete foi dificultado. Entre as grades, pequenas passagens, que de uma certa forma chegam a intimidar as pessoas, espantando os visitantes. Será que era isso que o governo queria? Anular a beleza e história da praça e entregá-la às moscas? Tudo isso com a agravante de atentar contra o espírito cívico e democrático que sempre pontuou o local?
Realmente, tem certas coisas difíceis de entender. Quem passa hoje pela praça, principalmente quem no passado presenciou os grandes movimentos sociais ali realizados, tem no mínimo uma sensação de censura. O governo fecha uma praça, promete revitalizar o local, mas ergue grades e priva a população de um espaço público, verde e democrático. Basta passar pelo Centro Cívico para ver que tudo isso é triste, mas é a mais pura realidade.


