'O cenário estava bem caótico, sem recursos financeiros'
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terça-feira, 27 de dezembro de 2016
Simoni Saris<br>Reportagem Local 
No Hospital São Rafael, em Rolândia (RML), a intervenção foi decretada pelo município sob recomendação do MP em setembro de 2015 em razão de falta de transparência na gestão e do não pagamento de impostos, encargos e fornecedores. A prefeitura estimava em R$ 15 milhões a dívida contraída pela Associação Beneficente São Rafael, administradora da unidade.
"O cenário estava bem caótico, sem recursos financeiros nenhum, muitas dívidas com fornecedores, prestadores de serviço, funcionários, fechou a UTI e a parte financeira estava totalmente zerada. Era uma situação bem complicada", recorda o diretor contábil e financeiro do Hospital São Rafael, Júnior Camargo. Naquele momento o hospital teve de recorrer à Secretaria Estadual de Saúde para pedir a liberação de recursos represados, mas o dinheiro foi suficiente para pagar os salários e parte dos fornecedores. O 13º salário dos funcionários ficou em atraso. "O que contratamos de setembro 2015 para frente nós tomamos o compromisso de pagar, mas o que ficou para trás está em aberto", afirmou Camargo, que disse não saber o valor do passivo. "Para isso, precisamos de uma auditoria externa, mas que tem um custo de R$ 50 mil, o que representa 25% do nosso 13º."
Com o fechamento da UTI, o repasse do Estado para pagamento do SUS sofreu uma queda imediata de 30%. Uma das primeiras medidas da nova gestão do hospital foi comprovar que mesmo sem a UTI o volume de produção do hospital justificava a
recomposição dos valores e, assim, foi feito um aditivo contratual para restabelecer os 30%. "Na primeira etapa da intervenção, entre setembro de 2015 e março deste ano, conseguimos equacionar um pouco as coisas e a partir de março desse ano começamos a pensar em planejamento e nos concentramos em ampliar a receita, que até agora já teve um incremento de 50%", ressaltou o diretor administrativo do hospital, Nilson Giraldi. Uma das ações para elevar a receita foi aumentar o número de atendimentos a pacientes de convênios e particulares.
No período, o número de cirurgias também foi duplicado, saltando de 80 procedimentos mensais para uma média de 160, o que significa aumento nos repasses feitos ao SUS, já que 90% dos atendimentos da instituição são para pacientes da rede pública de saúde. "O saudável seria 70%. Por isso queremos aumentar mais os atendimentos a pacientes particulares e conveniados", disse Giraldi.
Há dois meses o Hospital São Rafael também começou a fazer cirurgias de campanha. Nesse intervalo, foram realizadas 170 cirurgias e a meta é chegar a 200 por mês. "Para isso estamos investindo na liberação da quarta sala do centro cirúrgico", destacou a diretora técnica, Tatiana Müller.
METAS
A partir de janeiro, a expectativa é que o hospital consiga iniciar as cirurgias vasculares, cuja a fila tem cerca de 100 pessoas, e ampliar o número de leitos. Até o ano passado, a unidade contava com 65 leitos e hoje são 80, mas a meta é chegar a 105. "Esse aumento daria um suporte para a ampliação do número de cirurgias, de internamento de produção do particular e convênios. Tudo isso deve ser implantado no início de 2017", planeja Tatiana.
Outra meta definida pelo hospital é a reabertura dos dez leitos de UTI. "Aumentando a receita, conseguimos reabrir a UTI, que se torna viável. E trazendo pacientes de maior complexidade, você consegue o retorno desse valor porque faz cirurgias que são melhor remuneradas. Assim, você entra em um ciclo de produção", disse a diretora técnica. "A abertura da UTI não depende de nós. Depende das negociações com a Secretaria Estadual de Saúde e o Ministério da Saúde", completou Giraldi.
Hoje, o Hospital São Rafael atende cerca de 2,5 mil pacientes ao mês, sendo 300 internações e 160 cirurgias, dentre elas, 70 partos. Além de Rolândia, a instituição é referência para moradores de outros dez municípios da região, totalizando 137 mil habitantes. (S.S.)


