Santo Antônio da Platina - Antonio Pereira vive da coleta em pleno século XXI. Indiferente à civilização e aos avanços da tecnologia, o aposentado de 77 anos sobrevive ao final da história preconizado pelos intelectuais. O mineiro de Governador Valadares não conhece a produção em larga escala americana ou o sistema de organização japonês. Além disso, não utiliza softwares de rastreamento nem emprega estratégias de comercialização sofisticadas. Ele, apenas, colhe limões na zona rural da cidade.
Após a coleta dos limões, similar ao processo indígena no início da colonização, eles são vendidos. Indiferente a qualquer negociação junto a Organização Mundial do Comércio (OMC). Alheio ao mundo e à tensão entre EUA e Iraque. Absorto em seu ofício de colher limões e vendê-los na cidade por R$ 1,00 o lote de 30 unidades. O operário dos limões simplesmente colhe e, após caminhar cerca de 15 quilômetros, comercializa a fruta.
Em um dia produtivo, de acordo com Pereira, são vendidos, em média, cinco lotes com um rendimento estimado de R$ 5,00 por dia. Ao contrário da metodologia utilizada pelo gerenciamento moderno, esse pequeno comerciante não encanta o cliente pela publicidade. Pereira começou a trabalhar com cinco anos e conta que, apenas, oferece o seu produto e confia na solidariedade humana.
Ele é aposentado, mas resiste ao ócio, porque precisa completar a renda familiar. Apesar da semelhança com o modo primitivo das primeiras civilizações, consegue se inserir, justamente, no cenário contemporâneo da civilização. O catador de limões, assim como o catador de papel, catador de lixo, o catador de papéis, o catador de ferro, o catador de latas de alumínio e o catador de comida se multiplicam na cidade. E, como muitos outros indivíduos, são esquecidos ou descartados.

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