O Escritório de Aplicação de Assuntos Jurídicos da Universidade Estadual de Londrina, que presta atendimento gratuito à população, acompanha atualmente em torno de 2 mil processos somente na área de família. A grande maioria relacionada a divórcio e pensão alimentícia. Porém, conforme diz a diretora do escritório, a advogada Claudete Canezin, estão aparecendo ''novos casos'' que não estão na legislação. ''Vamos nos baseando em outras leis para poder resgatar a cidadania e a dignidade daqueles que nos procuram''.
Segundo Claudete, um dos casos que está se tornando comum é o abandono paterno-filial. ''Acontece o divórcio e o pai paga a pensão porque é obrigação legal, mas deixa de dar amor para o filho. Já existem diversos casos julgados em que esses pais foram condenados a indenizar os filhos que abandonaram. Um dos alunos do nosso curso de Direito está fazendo um trabalho analisando esses casos e tem percebido que as crianças 'abandonadas' buscam outras coisas para suprir a falta de carinho'', relata Claudete.
De acordo com a advogada, outro problema que pode começar a ser frequente nos tribunais é o pedido de indenização de filhos que se sintam prejudicados moralmente pelo processo de separação dos pais. ''As pessoas não conseguem compreender que o casamento termina, mas a família não. É preciso amadurecimento para saber que os filhos não são simples objetos. Muitas vezes eles são utilizados por uma das partes para pressão emocional, como quando a mãe proíbe o pai de ver a criança. Isso gera um trauma'', ressalta.

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