'O câncer tornou-se insignificante'
As tempestades que assolaram Londrina em outubro tiveram consequências que extrapolam os prejuízos com casas destelhadas, eletrodomésticos perdidos e árvores condenadas na vida do comerciante Roberto Salviano da Silva, 57 anos, e sua esposa Terezinha, 59. Responsável pela lanchonete de um clube, ele teve a rotina transformada ao subir no telhado de uma churrasqueira danificada pela chuva para fazer os reparos.
Num momento de descuido, sofreu uma queda de uma altura de quatro metros que o deixou com traumatismo craniano, costelas quebradas e uma perfuração no pulmão. Em 42 dias dos quais não se recorda, ficou em coma na Unidade de Terapaia Intensiva (UTI) da Santa Casa de Londrina.
Durante todo este período, o sofrimento foi o companheiro de Terezinha e dos filhos, que chegaram a acreditar que Salviano não voltaria para casa. Em tratamento contra um câncer que já está quase curado, ela desmarcou uma cirurgia para acompanhar o tratamento do marido e garante que até mesmo a temida doença ficou insignificante perto da realidade da UTI. ''Estou mais fortalecida para terminar o tratamento'', afirmou.
O relato dos médicos a Terezinha e os filhos era desanimador.''Diziam que o estado dele era muito grave. Meu marido ficou dependente do respirador, a gente realmente achava que seria difícil ele sobreviver, mas nunca perdemos a esperança'', afirmou ela, que se apegou às orações e ao imenso apoio dos amigos para passar pela turbulência.
Com autorização para ver Salviano por meia hora, três vezes por dia, Terezinha e a filha Juliana passavam o resto do tempo no hospital, apesar da insistência da equipe médica para que as duas descansassem um pouco. ''Temíamos chegar em casa e receber uma má notícia'', contou.
A melhor notícia do ano foi dada no início deste mês, quando Salviano finalmente voltou a respirar sozinho. ''Nesse dia percebemos que o período difícil tinha terminado.'' Segundo ela, o trabalho dos médicos e da equipe da Santa Casa, sob comando do neurologista Fahd Haddad, será alvo do agradecimento eterno da família. ''Em alguns momentos achamos que ele não sairia vivo.''
Atuante nas atividades da Igreja Católica e tradicional voluntário do almoço oferecido aos menos favorecidos pela Paróquia Nossa Senhora de Lourdes (Vila Siam), no dia do Natal, Salviano só lamenta não poder participar do preparo dos alimentos neste ano. Certo de que se tornou outra pessoa depois da experiência da qual só ficou sabendo dos detalhes pelo relato dos médicos e familiares, ele planeja passar o Natal em família, na companhia de Terezinha e dos filhos Juliana e filho Roberto.(C.A.)





