Como não havia lugar para os cinco em Londrina, todos vieram parar em Rolândia, na Paróquia São José, acolhidos pelo segundo pároco da cidade, padre Carlos Bonetta. Em Rolândia já havia irmãs maltesas e a ambientação seria mais tranquila. Ficaram alojados na antiga sacristia, onde hoje é o Museu da Matriz.
''Não havia asfalto, o paralelepípedo ia somente até a esquina da rua Manoel Carreira Bernardino com avenida Expedicionários. Na sacristia tinha muita barata marrom, Bernardo ficava com muito medo'', diz José. ''Eu tive uma febre muito forte, o médico queria me internar, mas a irmã disse que não, que eu iria ficar mais assustado ainda e me trataram em casa mesmo'', completa Bernardo.
Em fevereiro de 1962, os cinco foram para o Seminário Provincial Rainha dos Apóstolos, em Curitiba, que atendia seminaristas do Paraná e Santa Catarina. ''A viagem foi longa, não tinha asfalto, o ônibus quebrava toda hora, quando atolava tínhamos que descer e empurrar. Os passageiros até acharam que o azar era por causa dos cinco padrecos, todos de batina preta'', sorri, novamente, Bernardo.
No seminário, mais sofrimento. Eles não se habituavam ao arroz e feijão preto com abóbora. Além do incômodo das pulgas, que infestavam os dormitórios. ''Os lençóis ficavam sujos de sangue que as pulgas tiravam da gente. Somente nas quintas-feiras nós podíamos sair, aí íamos a um bar e comíamos bauru, sanduíche, pizza, tomávamos cerveja... era uma festa.''
''Em Curitiba, dom Geraldo foi um pai para nós, nos visitava todos os meses, nos atendia em todas as necessidades'', diz José, que, nas férias, vinha para Pitangueiras e Rolândia. Bernardo ia para Santa Fé ou Londrina. Os dois sempre na diocese onde estão até hoje. José é pároco da Matriz São José, em Rolândia, e Bernardo está na Catedral Metropolitana, em Londrina.
Dos outros três malteses que aqui chegaram em 1961, o padre Francis De Battista morreu e está sepultado em Tamarana; Joseph Xuereb largou a batina e hoje mora em Nova York (EUA); e Carmel Mercieca é padre em Presidente Prudente, interior de São Paulo.
Os dois que ficaram não se arrependem de nada e dizem que fariam tudo de novo. Nunca pensaram em sair da Diocese de Londrina e ficam emocionados todas as vezes que relembram as histórias, boas e ruins, que passaram no Norte do Paraná. Da Ilha de Malta sobraram o sotaque indisfarçável e a dedicação total de suas vidas à evangelização.
''Desde seminarista, a minha vida toda foi aqui. Estou há mais tempo em Rolândia do que vivi na minha terra natal. Não me arrependo, gosto muito daqui, e faria tudo de novo'', emociona-se José. ''Nunca pensei em desistir, em sair daqui, nem nos momentos mais difíceis. Gosto muito de Londrina'', completa Bernardo. (D.G.J.)

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