No pequeno pedaço de terra, um sitiante criava gado e alguns bodes. Pensando em diversificar a criação de animais na propriedade, resolveu também comprar alguns carneiros. Num certo dia, apareceu no pasto um carneiro morto, no dia seguinte outro e mais outro.
Preocupado, o sitiante procurou o caseiro para apurar o caso. ''Tião, pega a espingarda e o farolete e faz um plantão noturno lá no pasto dos carneiros. Vê se é o tal do chupa-cabra que está atacando por estas bandas...''. ''Sobrou para mim!'', pensou Tião.
À noite, o capataz armou-se e se espremeu atrás de uma moita à espera do tal ''chupa-cabras'', que, nesse caso, preferia mesmo era os carneiros. Uma hora depois de iniciada a campana, um barulho desfez o silêncio. Espingarda engatilhada, farolete aceso e... lá vinha o cachorro do patrão com um apetite feroz, mas que não chegou a meter medo no pobre do Tião. Bastou dar um grito para impedir o ataque.
Desvendado o mistério, Tião correu chamar o patrão e foi logo falando: ''Sabe quem é o chupa-cabras matador de carneiros? É esse medonho desse cachorro aí''. O patrão olhou para o cachorro, coçou a cabeça e matutou uma solução. Não acredito que esse cachorro medonho, como diz o Tião, tenha feito isso... dou comida, dou ração, ele come igual a um cavalo e ainda vai matar os carneiros... Espera aí! ''Tião, vá lá na venda e marque dois metros de corda''. Sem saber o que iria acontecer com o cachorro, Tião correu até o armazém e voltou com a corda. ''Tião, traga aqui aquele bode véio''. Imaginando que o animal mal cheiroso fosse servir de banquete para o cão, foi-se o caseiro e trouxe o velho bode. O sitiante, então, pegou a corda e amarrou no pescoço do bode. Com a outra ponta ele laçou o cachorro, de modo que os dois animais ficaram unidos, e os soltou no pasto. De cara, o cachorro já não gostou do cheiro forte exalado pelo bodão. E lá se foi o bode pastando e arrastando o cachorro para tudo quanto é lugar.
O sitiante dava comida e água para o cachorro, mas infastiado, o azarado animal nem cheirava o alimento. Lá pela metade do dia, já sem conseguir suportar o calor, o cansaço e a fedentina do ''colega'' de coleira, o cachorro queria apenas se deitar. Enquanto isso, o bode continuava com fome e arrastava o infeliz.
Apenas no final da tarde, o sitiante separou a dupla e pediu para Tião buscar um carneiro e o levou até onde estava o cachorro. Quando o exausto cão avistou o carneiro seguindo em sua direção, não teve dúvida. Valeu-se de suas forças mais profundas, enfiou-se embaixo do assoalho da casa grande e de lá não saiu mais para nada naquele dia.

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